Desenvolvimento Mediúnico Básico – Relembrando

Pessoal, como existem muitos questionamentos a respeito da incorporação consciente, semiconsciente, está aí um relato que já aconteceu comigo e com alguns irmãos meus, isso servirá direitinho para quem está começando.
É um post antigo no meu blog, mas tem pessoas que só olham os últimos  e esquecem dos demais, vale a pena dar uma relidinha:
Para todos os mediuns de Umbanda, sabemos como o desenvolvimento é difícil…. Ah, é realmente difícil, quando fazemos a comunicação não sabemos se estamos loucos ou nos deixamos envolver pela emoção de ouvir o som dos atabaques e começar a soltar o corpo.
– Será que sou eu? Estou ouvindo tudo… Nossa, que vergonha, o que estou fazendo?
Esses e outros diálogos são muito comuns no início do desenvolvimento umbandista, inicia-se aquele aglomerado de dúvidas, de incertezas fazendo com que não tenhamos mais convicção daquilo que queremos, muitas vezes pensei em desistir, porque achava que estava ficando maluco ou estava fingindo. Como realmente é difícil o desenvolvimento.
Mas de repente, você vendo tudo aquilo acontecer e o seu sacerdote lhe designa para um passe, de repente, você começa a agir e segurar a boca, comumente ouvimos “Não tenho permissão para falar”, mas você está ali, dando o seu passe.
De repente você percebe que a pessoa sai melhor, hummmm… Será que foi eu?
Mais para frente, vem um pessoa em sua frente, e como que num passe de mágicas, você começa a falar o que está acontecendo na vida dela… Logo vem em sua cabeça:
– Ué gente, além de louco, virei adivinho… Mas que raios to falando tudo dessa mulher?
De repente o consulente fica mais íntimo, se abre mais, se sente mais à vontade e inicia-se o diálogo, quando acaba o trabalho, você começa a se perguntar que acontecimento foi aquele.
Depois de alguns meses, volta aquele consulente:
Obrigado Sr. Guia, aconteceu tudo aquilo, confio muito em vós, minha filha está doente, o Sr. consegue dar uma olhada?
De repente está lá você novamente, vendo tudo…. Suas mãos sobre o local enfermo, utilizando vela, pemba, mel, seja lá o que for, de repente a dor do consulente se dissipa, ele sai melhor e novamente você recebe o agradecimento.
– É, acho que realmente estou com alguma coisa! Já falei coisas que eu não sabia, agora estou até curando… Graças a Deus, realmente acho que estou incorporado.
E assim sucessivamente ocorre, gradativamente você começa a aumentar sua certeza de que realmente você está incorporado e fazendo o seu trabalho de forma consciente ou semi-consciente sempre amparado pelo seu mentor.
Esse processo pode demorar semanas, dias e anos, dependendo da dedicação do medium, mas o produto final é sempre o mesmo, a caridade concedida e a graça alcançada.
Namastê.
Neófito da Luz

A Coroa do Medium

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Aranauam a todos.

Em meus quase 13 anos de umbanda, já ficou intrinsecamente ligado aos meus instintos não deixar ninguém colocar a mão em minha coroa, para quem não sabe, é o topo da cabeça, de onde acredita que são onde os orixás incorporam e depositam ali sua essência. Por isso o nome (Ori – Centro da Cabeça; Axé ou Xá – Força)

O mesmo esse meu mesmo sentimento de negação ocorre quando os filos realizam suas obrigações na casa, mas como sempre, gosto de polemizar e pesquisar os fatos, vou muito além das crenças e crendices que percorreram séculos.

Como sou um curioso nato, não me limito apenas ao estudo da Umbanda, a tenho como prática de caridade e auxílio ao próximo, pq em minha opinião em termos de caridade e amor ao próximo, na realização prática e não teórica, nenhuma religião no mundo se iguala. A Umbanda é a abnegação de tempo, de fluídos e até de entretenimento, pois sabemos que temos que seguir certos rituais que precedem os trabalhos umbandistas.

Mas voltando, a coroa é onde toda a sua energia é liberada, é onde também recebemos as cargas sutis provenientes do Universo, é no topo da cabeça que está nossa ligação com o Divino, no HInduísmo, quando atingimos a ascensão cósmica, o estranho Brahman abrimos esse chakra do topo da cabeça e somos diretamente ligados ao Plano Divino. Nos ensinamentos de Buda, através das meditações alcançamos o Nirvana, onde você se torna receptivo aos Ensinamentos Divinos e Universais.

Me questiono: Uma região tão poderosa de nosso corpo pode ser ofuscada pela mão de um terrícola, de um habitante na Terra? Alguns babalaos dizem que quando uma pessoa mal intencionada coloca a mão sobre sua cabeça, desgraças podem ocorrer!

Pessoal, vale lembrar que todo conhecimento Antigo tem um valor inestimável, irrefutavelmente os conhecimentos que descendem dos Antigos Ensinamentos são inquestionáveis de de valores sísmicos, em minha opiniao, é na antiguidade que resite o verdadeiro conhecimento e onde está o verdadeiro caminho para evolução, mas vale lembrar que quando todo conhecimento torna-se popular, gradativamente ele se degrada e muitas das vezes morre a sua essência, pois ele se torna obsoleto e sensível de acordo com a interpretação de cada pessoa que o transmite para a posteridade, portanto, até concordo que tenha um certo fundamento as pessoas não colocarem a mão em nossa cabeça, mas precisa de muita falta de firmeza do adepto e muito poder acumulado daquele que toca para transformar isso em verdade.

Tento passar isso aos filhos mais antigos que vieram de outra casa, gosto de fazer um preparado de ervas, colocar a mão sobre suas cabeças e orar, pedir ao Cosmico e aos Mestres Amparadores que possam derramar toda a energia divina infundada nas ervas para que esse filho possa estar mais suscetível às energias cósmicas.

Na minha casa, isso é questão de carinho e zelo, não temos a mínima intenção de prejudicar alguém colocando a mão em sua coroa, pelo contrário, pedimos aos céus para que aquele filho possa trilhar com sucesso seu caminho e que tenha ombros mais fortes para superar as dificuldades que existem em nossa vida de expiações.

Infelizmente temos que acreditar que o mal existe, e graças a essa atuação, nos colocamos sempre em guarda, já nos defendemos antes de sermos atacados, não confiamos em ninguém, mas lembrem-se:

O Dono do seu destino é você e o sucesso dele depende da força que você emprega em seus pensamentos e seu caráter, magia, patuá nenhum ditará seu destino se você manter a cabeça sempre forte na Divina Proteção e nos espíritos amparadores.

A Coroa é sua, mas tire de sua mente que uma mão mal intencionada pode prejudicar-lhe, pois você é um espírito livre e poderoso, só que ainda não se deu conta disso.

Paz Profunda

Neófito da Luz.

Desenvolvimento Mediúnico

Para todos os mediuns de Umbanda, sabemos como o desenvolvimento é difícil…. Ah, é realmente difícil, quando fazemos a comunicação não sabemos se estamos loucos ou nos deixamos envolver pela emoção de ouvir o som dos atabaques e começar a soltar o corpo.
– Será que sou eu? Estou ouvindo tudo… Nossa, que vergonha, o que estou fazendo?
Esses e outros diálogos são muito comuns no início do desenvolvimento umbandista, inicia-se aquele aglomerado de dúvidas, de incertezas fazendo com que não tenhamos mais convicção daquilo que queremos, muitas vezes pensei em desistir, porque achava que estava ficando maluco ou estava fingindo. Como realmente é difícil o desenvolvimento.
Mas de repente, você vendo tudo aquilo acontecer e o seu sacerdote lhe designa para um passe, de repente, você começa a agir e segurar a boca, comumente ouvimos “Não tenho permissão para falar”, mas você está ali, dando o seu passe.
De repente você percebe que a pessoa sai melhor, hummmm… Será que foi eu?
Mais para frente, vem um pessoa em sua frente, e como que num passe de mágicas, você começa a falar o que está acontecendo na vida dela… Logo vem em sua cabeça:
– Ué gente, além de louco, virei adivinho… Mas que raios to falando tudo dessa mulher?
De repente o consulente fica mais íntimo, se abre mais, se sente mais à vontade e inicia-se o diálogo, quando acaba o trabalho, você começa a se perguntar que acontecimento foi aquele.
Depois de alguns meses, volta aquele consulente:
Obrigado Sr. Guia, aconteceu tudo aquilo, confio muito em vós, minha filha está doente, o Sr. consegue dar uma olhada?
De repente está lá você novamente, vendo tudo…. Suas mãos sobre o local enfermo, utilizando vela, pemba, mel, seja lá o que for, de repente a dor do consulente se dissipa, ele sai melhor e novamente você recebe o agradecimento.
– É, acho que realmente estou com alguma coisa! Já falei coisas que eu não sabia, agora estou até curando… Graças a Deus, realmente acho que estou incorporado.
E assim sucessivamente ocorre, gradativamente você começa a aumentar sua certeza de que realmente você está incorporado e fazendo o seu trabalho de forma consciente ou semi-consciente sempre amparado pelo seu mentor.
Esse processo pode demorar semanas, dias e anos, dependendo da dedicação do medium, mas o produto final é sempre o mesmo, a caridade concedida e a graça alcançada.
Namastê.

Linha de Caboclos

curuminsecanoa

Estou aqui para oferecer um resumo de minha opinião em relação a essa linha, nesse caso me limitarei apenas a ela tentando elucidar apenas um pouco do culto de outras casas.

São espíritos que em sua encarnação foram índios, oriundos das mais variadas regiões de nosso globo, plasmam-se como espíritos que viveram grande parte de sua vida ou toda a sua vida, na floresta, no bom relacionamento com a flora e fauna da região onde viviam.

Gostaria de fazer uma ressalva, que muitos índios, mesmo antes de entrarem em contato com a ciência do homem branco, possuíam uma cultura extremamente avançada, infestada de parábolas e excepcionais filosofias de vida, o interessante, é que muito desse conhecimento, assemelham-se à cultura oriental.

Na Umbanda, eles representam a jovialidade, a força, a juventude, o período mais longo de nossas vidas, onde adquirimos o senso de responsabilidade, formação sólida de caráter e onde toda a nossa inteligência e conhecimento transmutam-se em sabedoria. São espíritos que se apresentam de forma séria, exímios trabalhadores nas demandas, curas e limpezas etéreas, muitos caboclos apresentam-se como verdadeiros conselheiros, amigos, sempre dispostos a fornecer uma palavra de coragem e ânimo, outros caboclos já não são muito de consultas, atuam mais no desmanche de feitiços e outras cargas deletérias que absorvemos direta ou indiretamente do astral.

A Falange de caboclos é muito vasta, muitos atuam nas mais variadas égides, como a de Xangô, Ogum, Oxossi, entre outros orixás, dependendo da vibração da qual o caboclo atua, ele tem uma característica peculiar, uns são exímios curandeiros, outros guerreiros vencedores de demanda, outros muito velhos, servindo como ótimos amigos e conselheiros é uma falange que não possui uma característica padrão em relação ao comportamento da entidade.

Sua cor geralmente é o verde, em alguns casos acrescenta-se o branco, mas pode variar dependendo da vibração atuante do caboclo, seu próprio fio-de-conta pode variar. Suas oferendas geralmente são frutas, flores, alguns solicitam charuto e cerveja em suas oferendas, já vi casos de caboclos solicitarem vinho branco ou tinto. O pano que cobrirá a oferenda também dependerá do caboclo bem como o local da entrega. Alguns recebem em matas fechadas, outros sobre uma pedra, outros mais próximo a um rio, outros em campos altos e de grama rasteira, também dependerá da forma que seu caboclo trabalha e o local escolhido para ele transmutar as energias, cada entidades tem o seu campo santo mediante a vibração que atua, portanto, cada qual tem um local determinante para abrir os seus portais. Sua saudação é Okê Caboclo.

Os caboclos costumam trabalhar com todos os elementais, seja o fogo da vela aliado à fumaça do charuto, onde também representa o elemento ar, a água, a terra, os vegetais. São os verdadeiros guerreiros de Umbanda, sendo muito respeitados pelas demais linhas, geralmente são os responsáveis pelo ori do filho, o mentor de toda a corrente umbandista do médium.

Muitos são os espíritos que atuam sob essa roupagem fluídica, costumo dizer que o caboclo é o alicerce de uma casa de Umbanda, dentro de minha crença, são as entidades que têm total autonomia sobre os exus.

Os caboclos, dependendo da vibração da qual estão imantados, ou seja, energizados, apresentam uma característica diferente, como citado acima. Gostaria apenas de salientar que todos os caboclos possuem a sua vibração original, mas isso não impede que ele possa atuar sobre outras vibrações, por exemplo, o senhor Pena Branca é um caboclo onde sua vibração original é oriunda de Oxalá, mas já vi outros caboclos que trazem o mesmo nome, atuando sob a vibração de Oxossi ou até mesmo Ogum.

Ocorre muita confusão em relação a isso, outro exemplo típico é o Sr. Pena Dourada, originalmente ele é de Oxum, mas já o vi atuando também em filhos de Oxossi. Mas a título de referência, de acordo com a minha experiência, tentarei esmiuçar abaixo de acordo com as minhas experiências:  

Caboclos de Oxalá

 A vibração de Oxalá é aquela que nos traz a Paz, a Pureza de Espírito, são caboclos que atuam na camada mais sutil do Centro, em nossos centros psíquicos, nos preparando para os trabalhos litúrgicos dentro do terreiro. Falam muito baixo, costumam conversar, atuam também na área de saúde. Muitos ocupam cargos de chefia dentro da falange dos caboclos e dos próprios templos.

Alguns caboclos que atuam nessa vibração são Pena Branca, Águia Branca, Urubatão da Guia, Tupã, Aimoré, Caboclo do Sol.

 Caboclos de Iemanjá

 São caboclos que em sua enorme maioria trazem o poder da cura, por serem exímios manipuladores da água, o elemento da vida, possuem grande capacidade para curar, regenerar tecidos recuperar a vitalidade de cada órgão das pessoas. Não são muito sérios, costumam falar mais que os caboclos de Ogum ou Xangô, existe muitas caboclas também sob a vibração de Iemanjá, geralmente são caboclos que atuam na praia ou no mar.

Entre os caboclos mais conhecidos dessa vibração estão Jurema da Praia, Iara, Ondina, Jandira, Jacira, Caboclo da Lua, Beira-Mar, Ubirajara.

 Caboclos de Ogum

 Geralmente são sérios, atuam mais na Ordem do centro, inibindo a ação de entidades maléficas e desmanchando demandas, são austeros, destemidos e onde atuam a Paz deve existir, por trabalharem sob uma vibração que representa a força, o desejo de vitória, limitam-se apenas em trabalhar vencendo as Guerras que cercam os templos Umbandistas, atuam na limpeza da Egrégora da casa.

Alguns deles são: Rompe-Mato, Beira-Mar, Pena Vermelha, Quebra-Ferro, Rompe-Ferro, Sete Estradas, Sete Lanças, Sete Escudos, Sete Ondas.

Caboclos de Xangô

A Vibração de Xangô é a Justiça Carmica, é a Lei irrevogável e onipresente Cosmica, são caboclos extremamente sérios, falam muito pouco, atuam também no trabalho de desmanche de feitiços, fazendo prevalecer a justiça para com os adeptos necessitados, alguns são exímios feiticeiros, curandeiros e quimbandeiros, assim como a maioria dos caboclos de Ogum, os caboclos de Xangô também atuam na esquerda e na direita em sua maioria, a Justiça deve prevalecer independente do que aconteça. Alguns caboclos de Xangô estão diretamente ligado aos exus, que são os soldados do astral que auxiliam na Ordem das coisas.

Seus brados de guerra são muito intensos e breves.

Entre alguns caboclos estão Treme-Terra, Cachoeira, Mata Virgem, Rompe Pedra, Sete Luas, Caboclo do Vento, entre outros.

Caboclos de Oxóssi

De todos os caboclos, são os que mais falam, é a vibração que representa todos os caboclos em geral, costumam apresentar-se como bons conselheiros, ótimos curandeiros e benzedeiros.

Alguns caboclos que atuam sob a égide de Oxossi Guaraná, Jurema, Sete Encruzilhadas, Sultão das Matas, Araribóia, Cobra Coral, etc.

Caboclos de Oxum

São caboclos que trazem todo o encantamento e doçura dessa vibração, Oxum é a vibração de uma verdadeira mãe, protetora, amiga e sábia, assim são os caboclos que atuam sob essa vibração.

Alguns caboclos que já presenciei de Oxum são Pena Dourada, Iracema, Indaiara, Jandira, Jurema dos Rios, etc.

Caboclos de Obaluaie

São muito poucos caboclos que atuam sob essa vibração, são caboclos muito sérios, falam muito pouco e costumam também realizar seus trabalhos na esquerda. Seus brados de guerra geralmente são muito curtos e ocos.

Alguns caboclos da linha de Obaluaie/Omulu são Arranca-Toco, Vira-Mundo, Urutu, etc.

Algumas vibrações como Nanã, Iansã, Oxumaré, geralmente transmitem aos seus filhos boiadeiros, o caboclo que o filho trabalha durante os trabalhos Umbandistas, geralmente é o do segundo orixá de seu ori. Raros os casos, por exemplo, de um caboclo de Iansã, como até mesmo o Ventania, que para mim sua vibração é oriunda de Xangô ou até mesmo Sete Flechas, que eu já vi muita filha de Iansã trabalhando.

Geralmente essa linha é evocada na abertura, para limparem a casa de todos os malefícios que eventualmente ali adentram, em minha opinião, é a linha de maior poder espiritual que atua sobre a egrégora da Umbanda, em outras palavras, em termos de força guerreira; É uma linha que respeito muito e acho de ilibada importância para os trabalhos umbandistas.

Os caboclos também são constituídos de nômades que atuavam no Oriente, já vi alguns caboclos se plasmarem totalmente vestidos, com roupas longas, denotando uma descendência mais oriental, vale lembrar que os índios do norte da América também utilizavam roupas. Muita são as tribos que atuam nos trabalhos de Umbanda, apenas citando alguns: Sioux, Apaches, Chippeway, Comanches, Iroqueses, Navajos, Peles-Vermelhas,  entre outras tribos do norte da América, também temos a presença dos Incas, Maias e Astecas que situavam-se mais na América Central e a vasta quantidade de tribos brasileiras, como Tupiniquins, Tupinambás, Aimorés, Tupis, Tamoios, Guaiacurús, entre outras tribos, onde alguns caboclos receberam como nome de trabalho, o nome de sua própria tribo.

Outro aspecto importante que já vi acontecer em terreiros, é o médium de qualquer forma querer ter um cacique, vale salientar aqui que em nem todos os casos, o cacique é o que possui maior luz, maior hegemonia sobre os trabalhos, vale lembrar que o tempo de trabalho e a intensidade do trabalho de uma entidade é o que determina seu conhecimento, experiência e nível evolutivo, e como eu sempre digo, cada qual na sua função. Nas tribos existiam diversos cargos, como os guerreiros, entre eles, havia o seu chefe de Guerra, os Xamãs, que em algumas tribos também são conhecimentos como pajés, que eram os curandeiros da tribo, muitos eram conselheiros e exímios manipuladores de energia, tinha os vigias, os caçadores, entre outros grandes cargos dentro de uma mesma tribo. O seu pode não ser cacique, pode não ter o penacho até o chão, mas isso no mundo espiritual nada quer dizer, mais vale o grau evolutivo e a forma altruísta de trabalho do seu caboclo ao tamanho do seu penacho. Eu já trabalhei com quatro caboclos, dentre eles, apenas o Sr. Pena Branca era cacique, o meu chefe de ori, Sr Urubatão da Guia era um xamã entre os peles-vermelhas, o caboclo do Sol um curandeiro e feiticeiro e o Rompe-Mato um guerreiro austero.

 Essa é a linha de caboclos, sempre solicitados nas demandas, sempre solicitados quando é necessário a Ordem na Casa e geralmente são os chefes de congas nos terreiros de umbanda, o guia representante da vibração do seu médium e o responsável pelo comando da corrente umbandista de seu filho.

 

Saravá a Linha de Caboclos.

Okê Caboclos

 

 

 

Os Elementos de Transmutação da Umbanda

 

A Umbanda apresenta como mensagem religiosa a prática da caridade pura, o amor fraternal, a paz e a humildade. Entretanto ela também se propõe a produzir, pela magia, modificações existenciais que permitam a melhora da vida ao ser humano.

A sua magia consiste em reaproximar o homem da natureza, manipulando, através de vibrações sonoras, os elementos primordiais que a constituem, como também usando o ponto neutro dos fluxos e refluxos da onda modulada, equilibrando a consciência material do ser humano quantitativa e qualitativamente com os quatro agentes naturais que formam o Grande Agente Mágico Universal que é a força vital.

A força mágica e uma espécie de atividades universal ou vida cósmica de natureza misteriosa. O principal ramo da arte mágica consiste justamente na transmutação dos valores energéticos universais através da utilização dos elementos Fogo, Terra, Água, Ar.

Estes elementos estão em toda a parte e em todas as coisas, sendo bastante conhecido em sua manifestação na natureza. Como eles formam o nosso próprio corpo, fica fácil compreendê-los. 

Vejamos:

O Elemento Ar

O ar é um elemento da natureza considerado ativo e masculino. Em geral é considerado como o primeiro dos elementos dos elementos. Possui natureza dupla e é ao mesmo tempo atmosfera tangível, volátil, que pode ser chamado de Ar espiritual. Esta essencialmente relacionada com três conjuntos de idéias: o respiro criativo da vida, a palavra criadora; o vento como ar dinamizado, conectado em muitas mitologias, como idéia de criação, e, finalmente, o próprio espaço como meio onde se produzem os movimentos e de onde emergem os processos de criação e desenvolvimento da vida.

No campo humano o Ar esta relacionado aos pulmões, purificando e vitalizando o sangue que conduz o elemento vital ou Agente Mágico Universal. O sentido do olfato esta relacionado com o importante simbolismo do ar, cuja representação mágica é a espiral. Ele é ainda o hálito que respiramos e que se acha simbolizado nas fumaças que usamos na Umbanda.

A força mágica da fumaça reside no fato dela representar o ato de libertação da forma como imediata dissolução do ar, em forma espiralada.

Isso permite ao elemento ar atuar como intermediário entre o mundo da forma e o mundo espiritual envolvente e invisível, tornando-se assim um agente mágico capaz de transformar em resultado eficaz a intenção com que a fumaça é libertada para dissolver-se no ar.

Portanto, pode-se explicar o poder da magia pela sua própria condição de se fortalecer pelatransmutação e pelo retorno a plenitude. Uma vez fortalecida por sua identificação com o global, a intenção do ato mágico vai refletir-se como retorno do outro mundo formal para alcançar o objetivo mágico com eficácia. Estas são as raízes do pensamento mágico.

O Elemento Água

A água é um elemento considerado passivo e feminino. O conceito de água estende-se de maneira geral a toda matéria em estado liquido. Símbolo universal do principio feminino, das emoções e do inconsciente, de todas as substancia a água é a de mais complexa interpretação. Este elemento esta sendo ligado aos conceitos de fertilização, de materialidade e de geração. A água consiste num fluido denso e numa essência potencial de natureza fluídica.

Está bem definida sua presença como elemento primordial no primeiro instante de criação. Diz a Gênese de Moisés: “… a escuridão encobria a face do Infinito, e o Espírito divino vibrava sobre as Águas…” As águas citadas por Moisés são a matéria prima homogênea ainda não diferenciada ou o elemento do nascimento da gestação.

A água se manifesta de modo bem visível do mundo da forma e seu valor é incontestável. Em nosso Planeta a água segue um ciclo de transformações com quatro etapas sendo que cada etapa se completa da seguinte forma: sol aquece as águas da superfície do mar ou rios que evaporam, sobem em forma de vapor para formarem as nuvens, sofrendo ai uma transformação; as massas frias de vento sopradas dos pólos entram em contato com as nuvens (que são vapor) e a água se condensa precipitando-se para o solo em forma de gotas; Uma vez no solo, a água penetra na terra e, em seu interior, sofre transformações e é impulsionada para cima pela força da pressão, saindo nas fontes para forma os rios que, pela lei da gravidade, correm de volta para o mar ou rios.

Nos rituais da Umbanda, a água é considerada com os seus valores de cada etapa e ciclo das águas. Assim,cada etapa esta ligada a um determinado Orixá ou força da natureza, todas de origem feminina.

A água do mar esta relacionada à Iemanjá e a do rio esta ligada a Oxum que representa o amor, a bondade a doçura, a beleza e a riqueza da material e espiritual. O sal sempre teve importância e valor mágico devido a sua propriedade de conservar e evitar putrefação e como símbolo, acompanha a água. Sua presença é sempre marcante nas cerimônias de exorcismo.

Por isso, o mar e os rios se investem da propriedade de receber os detritos físicos e espirituais bem como objetos de trabalhos feitos. Colocar objetos no mar significa remetê-los ao caos primordial representado pelas águas marinhas.

A água serve como elemento condutor de emergia vibratória como agente mágico que religa o ser humano a Deus pelo batismo. No corpo humano, aliás, ela se manifesta como o elemento liquido que representa cerca de 70% do volume do corpo.

Na magia, ela representa ainda o caos diferenciado, a essência divina não-formalizada. É representada graficamente por três linhas paralelas horizontais e onduladas, simbolizando as ondas do mar.

O Elemento Terra

A terra é um elemento da natureza considerado passivo e feminino. Tem duas partes essenciais, sendo a interior fixa, terrena, imóvel e virtual. Este elemento se manifesta de forma sólida e a ele e atribuída a propriedade de receber descargas etéreas e matérias. Tomado como limite espacial, apresenta-se como a vestimenta envolvente da materialidade.

Elemento mágico de transformação, a terra mantém guardados, em seu interior, os segredos da purificação pela transformação agindo como filtro magnético que retém a impureza e liberta a pureza, afim de que o impuro se transforme pelo fogo e volte ao estado primitivo, mantendo-se do lado oposto do agente liberado, fazendo permanecer o equilíbrio.

Todos os minerais pertencem ao elemento terra e são encontradas nos mais diversos tipos, formas e combinações de moléculas, inclusive algumas que ainda estão em fase de transformação; por geram espontaneamente uma energia tão forte que o simples contato ou aproximação dos outros seres os envolve no seu campo magnético e os domina levando-os a destruição de suas moléculas (radioatividade).

Na Umbanda, o elemento terra representa a energia capaz de aliviar as pessoas das cargas dirigidas por alguém e alguma coisa. No seio da terra esta o mistério da vida e da morte, onde a semente adquire a força vital para nascer e transformação do corpo se processa na decomposição ou simplesmente onde se morre. A sua capacidade é de atração e transformação; como exemplo, temos a pedra que é do elemento terra e que representa o símbolo da unidade, da durabilidade e da força estática. A terra representa também a solidificação do ritmo criador, que é o contrario do ritmo biológico, pois este é submetido às leis de mudança, decadência e morte.

No corpo humano está representado pelo sais minerais que fortificam o corpo e o agente vital. Sua simbologia gráfica é a cruz, que ‘e o signo de sua crucificação e da do homem.

O Elemento Fogo

O fogo é um elemento da natureza considerado ativo e masculino. Dos quatro elementos são o que mais constantemente se acha associado às religiões, desde os tempos pré-históricos. É considerado o símbolo da própria alma e vidas humanas. É ao mesmo tempo visíveis e invisíveis, discernível e inservível – uma flama etérea e espiritual que se manifesta através de uma flama substancial e material.

Esotericamente, é a representação ou reflexo mais perfeito na chama uma, o principio divino que é, por sua vez, e como conceito, o mais alto símbolo de toda humanidade. O fogo representa a vida e a morte, a origem e o fim de todas as coisas, e nesse sentido é um dos mais importantes emblemas de transformação e regeneração. Como sinônimo de vida, o fogo tem muitos aspectos: pode ser encontrado tanto no nível da paixão animal e do erotismo (o fogo da paixão), como no nível dos mais ingentes esforços espirituais. Ele alcança e transcende o plano do bem (calor e energia vital) e o plano do mal (destruição e conflito), tendo a função de purificador supremo, como no caso das cremações ritualísticas de cadáveres.

A Umbanda considera, dentre os quatro elementos, que o fogo é o mais enigmático e surpreendente, pois sua energia e extremamente poderosa. A essência ígnea não se mostra com tanta evidencia como ocorre nos outros três elementos, pois no mundo visível o fogo só se mostra em sua forma luminígena. Apenas esta modalidade é comumente chamada de fogo.

Pela mítica, o fogo é um elemento com duração na potencia. Em outras palavras, pode-se dizer que ele preexiste as suas manifestações nas modalidades sutis de manifestação do fogo, cuja percepção se dá através de emoções e de imagens anímicas. Além disso, o fogo, enquanto símbolo, tem enorme amplitude: significa divino, energia motora cósmica, energia sexual (sentido este bastante nítido no sincretismo fogo-serpente a que os hindus chamam de Kundalini, a força latente responsável pela atividade sexual e pela consciência superior); A afetividade (compreendendo a ternura e a agressão). 

O fogo da vela simboliza a ligação matéria-espirito, homem-Deus. No corpo humano, o fogo se manifesta não só pela temperatura do corpo como também pelas manifestações emotivas e psíquicas. Seu símbolo gráfico é o corisco, ou o fogo que vem do alto, do céu ou de Deus.

Serões de Pai Velho

 

pretovelho 

ZIVAN – O que é a pemba e para que serve?


PAI VELHO – Pemba era um giz de fabricação especial, obtido através de um rito ou cerimônia. Passava de geração a geração e servia para grafar determinados sinais cabalísticos ou mágicos, com as mais diferentes significações, os quais variavam desde o nome da entidade que os firmava até às ordens astrais, envolvendo as mais diversas classes de entidades. De modo geral, porém, os sinais riscados pela pemba eram para uso de magia.

ZIVAN – Qual é o verdadeiro valor oculto, ou de imantação, da pemba?


PAI VELHO – Nenhum, pois o valor e a finalidade não estão no giz, e sim nos sinais grafados. O giz comum serve perfeitamente para o fim a que se destina: é inclusive mais barato e econômico.
    A grande quantidade de pembas preconizadas para esse ou aquele fim é pura especulação comercial, sem o mínimo valor cerimonial ou oculto. Risca-se ponto demais. Com pembas ditas de Angola, do Congo, da Costa e de Moçambique. Os pontos autênticos das verdadeiras entidades são raros.

    Sabendo que a magia não está na pemba e sim nos sinais que a entidade firmou, vamos apreciar o assunto em seus menores detalhes.

    O Ponto Riscado, ou a Grafia do Orixá, é uma ordem escrita a uma série de entidades, desde os espíritos da natureza aos Exus e até a espíritos sensíveis às figuras geométricas.
    O ponto completo obedece a sete sinais positivos que o identificam:

  • A que vibração primordial-forma pertence a entidade: caboclo, preto-velho ou criança;
  • A que linha pertence, dentro das sete fundamentais;
  • A falange ou subfalange, bem com o grau hierárquico dentro dos três planos de manifestação: Orixá, do Guia ou do Protetor;
  • Planeta regente e signo zodiacal;
  • Cor Fluídica Esotérica;
  • Elemento que manipula, figura geométrica, corrente cósmica e metal correspondente;
  • Entidades que comanda, quer as chamadas naturais, humanos ou não e artificais.

     Além desses sinais positivos existem os negativos, ocultos.

    O ponto riscado é a própria história da entidade e dos auxiliares que a acompanham em seus trabalhos. É através dele que também podem ser efetuadas todas as fixações de magia, as ordens a uma série infindável de espíritos, obedecidas religiosamente. Traçado de pemba é coisa muito séria e pode, inclusive, pela leviandade de se riscar pontos sem o mínimo conhecimento, desencadear as mais imprevisíveis forças, às vezes com conseqüências irremediáveis.
    A questão dos pontos é tão importante que todos têm nas palmas das mãos o selo dos Orixás responsáveis pelos destinos de cada um, como dizem os estudiosos da Quiromancia.

 

Serões de Pai Velho – Roger Feraudy