Desenvolvimento Mediúnico Básico – Relembrando

Pessoal, como existem muitos questionamentos a respeito da incorporação consciente, semiconsciente, está aí um relato que já aconteceu comigo e com alguns irmãos meus, isso servirá direitinho para quem está começando.
É um post antigo no meu blog, mas tem pessoas que só olham os últimos  e esquecem dos demais, vale a pena dar uma relidinha:
Para todos os mediuns de Umbanda, sabemos como o desenvolvimento é difícil…. Ah, é realmente difícil, quando fazemos a comunicação não sabemos se estamos loucos ou nos deixamos envolver pela emoção de ouvir o som dos atabaques e começar a soltar o corpo.
- Será que sou eu? Estou ouvindo tudo… Nossa, que vergonha, o que estou fazendo?
Esses e outros diálogos são muito comuns no início do desenvolvimento umbandista, inicia-se aquele aglomerado de dúvidas, de incertezas fazendo com que não tenhamos mais convicção daquilo que queremos, muitas vezes pensei em desistir, porque achava que estava ficando maluco ou estava fingindo. Como realmente é difícil o desenvolvimento.
Mas de repente, você vendo tudo aquilo acontecer e o seu sacerdote lhe designa para um passe, de repente, você começa a agir e segurar a boca, comumente ouvimos “Não tenho permissão para falar”, mas você está ali, dando o seu passe.
De repente você percebe que a pessoa sai melhor, hummmm… Será que foi eu?
Mais para frente, vem um pessoa em sua frente, e como que num passe de mágicas, você começa a falar o que está acontecendo na vida dela… Logo vem em sua cabeça:
- Ué gente, além de louco, virei adivinho… Mas que raios to falando tudo dessa mulher?
De repente o consulente fica mais íntimo, se abre mais, se sente mais à vontade e inicia-se o diálogo, quando acaba o trabalho, você começa a se perguntar que acontecimento foi aquele.
Depois de alguns meses, volta aquele consulente:
Obrigado Sr. Guia, aconteceu tudo aquilo, confio muito em vós, minha filha está doente, o Sr. consegue dar uma olhada?
De repente está lá você novamente, vendo tudo…. Suas mãos sobre o local enfermo, utilizando vela, pemba, mel, seja lá o que for, de repente a dor do consulente se dissipa, ele sai melhor e novamente você recebe o agradecimento.
- É, acho que realmente estou com alguma coisa! Já falei coisas que eu não sabia, agora estou até curando… Graças a Deus, realmente acho que estou incorporado.
E assim sucessivamente ocorre, gradativamente você começa a aumentar sua certeza de que realmente você está incorporado e fazendo o seu trabalho de forma consciente ou semi-consciente sempre amparado pelo seu mentor.
Esse processo pode demorar semanas, dias e anos, dependendo da dedicação do medium, mas o produto final é sempre o mesmo, a caridade concedida e a graça alcançada.
Namastê.
Neófito da Luz

A Coroa do Medium

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Aranauam a todos.

Em meus quase 13 anos de umbanda, já ficou intrinsecamente ligado aos meus instintos não deixar ninguém colocar a mão em minha coroa, para quem não sabe, é o topo da cabeça, de onde acredita que são onde os orixás incorporam e depositam ali sua essência. Por isso o nome (Ori – Centro da Cabeça; Axé ou Xá – Força)

O mesmo esse meu mesmo sentimento de negação ocorre quando os filos realizam suas obrigações na casa, mas como sempre, gosto de polemizar e pesquisar os fatos, vou muito além das crenças e crendices que percorreram séculos.

Como sou um curioso nato, não me limito apenas ao estudo da Umbanda, a tenho como prática de caridade e auxílio ao próximo, pq em minha opinião em termos de caridade e amor ao próximo, na realização prática e não teórica, nenhuma religião no mundo se iguala. A Umbanda é a abnegação de tempo, de fluídos e até de entretenimento, pois sabemos que temos que seguir certos rituais que precedem os trabalhos umbandistas.

Mas voltando, a coroa é onde toda a sua energia é liberada, é onde também recebemos as cargas sutis provenientes do Universo, é no topo da cabeça que está nossa ligação com o Divino, no HInduísmo, quando atingimos a ascensão cósmica, o estranho Brahman abrimos esse chakra do topo da cabeça e somos diretamente ligados ao Plano Divino. Nos ensinamentos de Buda, através das meditações alcançamos o Nirvana, onde você se torna receptivo aos Ensinamentos Divinos e Universais.

Me questiono: Uma região tão poderosa de nosso corpo pode ser ofuscada pela mão de um terrícola, de um habitante na Terra? Alguns babalaos dizem que quando uma pessoa mal intencionada coloca a mão sobre sua cabeça, desgraças podem ocorrer!

Pessoal, vale lembrar que todo conhecimento Antigo tem um valor inestimável, irrefutavelmente os conhecimentos que descendem dos Antigos Ensinamentos são inquestionáveis de de valores sísmicos, em minha opiniao, é na antiguidade que resite o verdadeiro conhecimento e onde está o verdadeiro caminho para evolução, mas vale lembrar que quando todo conhecimento torna-se popular, gradativamente ele se degrada e muitas das vezes morre a sua essência, pois ele se torna obsoleto e sensível de acordo com a interpretação de cada pessoa que o transmite para a posteridade, portanto, até concordo que tenha um certo fundamento as pessoas não colocarem a mão em nossa cabeça, mas precisa de muita falta de firmeza do adepto e muito poder acumulado daquele que toca para transformar isso em verdade.

Tento passar isso aos filhos mais antigos que vieram de outra casa, gosto de fazer um preparado de ervas, colocar a mão sobre suas cabeças e orar, pedir ao Cosmico e aos Mestres Amparadores que possam derramar toda a energia divina infundada nas ervas para que esse filho possa estar mais suscetível às energias cósmicas.

Na minha casa, isso é questão de carinho e zelo, não temos a mínima intenção de prejudicar alguém colocando a mão em sua coroa, pelo contrário, pedimos aos céus para que aquele filho possa trilhar com sucesso seu caminho e que tenha ombros mais fortes para superar as dificuldades que existem em nossa vida de expiações.

Infelizmente temos que acreditar que o mal existe, e graças a essa atuação, nos colocamos sempre em guarda, já nos defendemos antes de sermos atacados, não confiamos em ninguém, mas lembrem-se:

O Dono do seu destino é você e o sucesso dele depende da força que você emprega em seus pensamentos e seu caráter, magia, patuá nenhum ditará seu destino se você manter a cabeça sempre forte na Divina Proteção e nos espíritos amparadores.

A Coroa é sua, mas tire de sua mente que uma mão mal intencionada pode prejudicar-lhe, pois você é um espírito livre e poderoso, só que ainda não se deu conta disso.

Paz Profunda

Neófito da Luz.

Desenvolvimento Mediúnico

Para todos os mediuns de Umbanda, sabemos como o desenvolvimento é difícil…. Ah, é realmente difícil, quando fazemos a comunicação não sabemos se estamos loucos ou nos deixamos envolver pela emoção de ouvir o som dos atabaques e começar a soltar o corpo.
- Será que sou eu? Estou ouvindo tudo… Nossa, que vergonha, o que estou fazendo?
Esses e outros diálogos são muito comuns no início do desenvolvimento umbandista, inicia-se aquele aglomerado de dúvidas, de incertezas fazendo com que não tenhamos mais convicção daquilo que queremos, muitas vezes pensei em desistir, porque achava que estava ficando maluco ou estava fingindo. Como realmente é difícil o desenvolvimento.
Mas de repente, você vendo tudo aquilo acontecer e o seu sacerdote lhe designa para um passe, de repente, você começa a agir e segurar a boca, comumente ouvimos “Não tenho permissão para falar”, mas você está ali, dando o seu passe.
De repente você percebe que a pessoa sai melhor, hummmm… Será que foi eu?
Mais para frente, vem um pessoa em sua frente, e como que num passe de mágicas, você começa a falar o que está acontecendo na vida dela… Logo vem em sua cabeça:
- Ué gente, além de louco, virei adivinho… Mas que raios to falando tudo dessa mulher?
De repente o consulente fica mais íntimo, se abre mais, se sente mais à vontade e inicia-se o diálogo, quando acaba o trabalho, você começa a se perguntar que acontecimento foi aquele.
Depois de alguns meses, volta aquele consulente:
Obrigado Sr. Guia, aconteceu tudo aquilo, confio muito em vós, minha filha está doente, o Sr. consegue dar uma olhada?
De repente está lá você novamente, vendo tudo…. Suas mãos sobre o local enfermo, utilizando vela, pemba, mel, seja lá o que for, de repente a dor do consulente se dissipa, ele sai melhor e novamente você recebe o agradecimento.
- É, acho que realmente estou com alguma coisa! Já falei coisas que eu não sabia, agora estou até curando… Graças a Deus, realmente acho que estou incorporado.
E assim sucessivamente ocorre, gradativamente você começa a aumentar sua certeza de que realmente você está incorporado e fazendo o seu trabalho de forma consciente ou semi-consciente sempre amparado pelo seu mentor.
Esse processo pode demorar semanas, dias e anos, dependendo da dedicação do medium, mas o produto final é sempre o mesmo, a caridade concedida e a graça alcançada.
Namastê.

Linha de Caboclos

curuminsecanoa

Estou aqui para oferecer um resumo de minha opinião em relação a essa linha, nesse caso me limitarei apenas a ela tentando elucidar apenas um pouco do culto de outras casas.

São espíritos que em sua encarnação foram índios, oriundos das mais variadas regiões de nosso globo, plasmam-se como espíritos que viveram grande parte de sua vida ou toda a sua vida, na floresta, no bom relacionamento com a flora e fauna da região onde viviam.

Gostaria de fazer uma ressalva, que muitos índios, mesmo antes de entrarem em contato com a ciência do homem branco, possuíam uma cultura extremamente avançada, infestada de parábolas e excepcionais filosofias de vida, o interessante, é que muito desse conhecimento, assemelham-se à cultura oriental.

Na Umbanda, eles representam a jovialidade, a força, a juventude, o período mais longo de nossas vidas, onde adquirimos o senso de responsabilidade, formação sólida de caráter e onde toda a nossa inteligência e conhecimento transmutam-se em sabedoria. São espíritos que se apresentam de forma séria, exímios trabalhadores nas demandas, curas e limpezas etéreas, muitos caboclos apresentam-se como verdadeiros conselheiros, amigos, sempre dispostos a fornecer uma palavra de coragem e ânimo, outros caboclos já não são muito de consultas, atuam mais no desmanche de feitiços e outras cargas deletérias que absorvemos direta ou indiretamente do astral.

A Falange de caboclos é muito vasta, muitos atuam nas mais variadas égides, como a de Xangô, Ogum, Oxossi, entre outros orixás, dependendo da vibração da qual o caboclo atua, ele tem uma característica peculiar, uns são exímios curandeiros, outros guerreiros vencedores de demanda, outros muito velhos, servindo como ótimos amigos e conselheiros é uma falange que não possui uma característica padrão em relação ao comportamento da entidade.

Sua cor geralmente é o verde, em alguns casos acrescenta-se o branco, mas pode variar dependendo da vibração atuante do caboclo, seu próprio fio-de-conta pode variar. Suas oferendas geralmente são frutas, flores, alguns solicitam charuto e cerveja em suas oferendas, já vi casos de caboclos solicitarem vinho branco ou tinto. O pano que cobrirá a oferenda também dependerá do caboclo bem como o local da entrega. Alguns recebem em matas fechadas, outros sobre uma pedra, outros mais próximo a um rio, outros em campos altos e de grama rasteira, também dependerá da forma que seu caboclo trabalha e o local escolhido para ele transmutar as energias, cada entidades tem o seu campo santo mediante a vibração que atua, portanto, cada qual tem um local determinante para abrir os seus portais. Sua saudação é Okê Caboclo.

Os caboclos costumam trabalhar com todos os elementais, seja o fogo da vela aliado à fumaça do charuto, onde também representa o elemento ar, a água, a terra, os vegetais. São os verdadeiros guerreiros de Umbanda, sendo muito respeitados pelas demais linhas, geralmente são os responsáveis pelo ori do filho, o mentor de toda a corrente umbandista do médium.

Muitos são os espíritos que atuam sob essa roupagem fluídica, costumo dizer que o caboclo é o alicerce de uma casa de Umbanda, dentro de minha crença, são as entidades que têm total autonomia sobre os exus.

Os caboclos, dependendo da vibração da qual estão imantados, ou seja, energizados, apresentam uma característica diferente, como citado acima. Gostaria apenas de salientar que todos os caboclos possuem a sua vibração original, mas isso não impede que ele possa atuar sobre outras vibrações, por exemplo, o senhor Pena Branca é um caboclo onde sua vibração original é oriunda de Oxalá, mas já vi outros caboclos que trazem o mesmo nome, atuando sob a vibração de Oxossi ou até mesmo Ogum.

Ocorre muita confusão em relação a isso, outro exemplo típico é o Sr. Pena Dourada, originalmente ele é de Oxum, mas já o vi atuando também em filhos de Oxossi. Mas a título de referência, de acordo com a minha experiência, tentarei esmiuçar abaixo de acordo com as minhas experiências:  

Caboclos de Oxalá

 A vibração de Oxalá é aquela que nos traz a Paz, a Pureza de Espírito, são caboclos que atuam na camada mais sutil do Centro, em nossos centros psíquicos, nos preparando para os trabalhos litúrgicos dentro do terreiro. Falam muito baixo, costumam conversar, atuam também na área de saúde. Muitos ocupam cargos de chefia dentro da falange dos caboclos e dos próprios templos.

Alguns caboclos que atuam nessa vibração são Pena Branca, Águia Branca, Urubatão da Guia, Tupã, Aimoré, Caboclo do Sol.

 Caboclos de Iemanjá

 São caboclos que em sua enorme maioria trazem o poder da cura, por serem exímios manipuladores da água, o elemento da vida, possuem grande capacidade para curar, regenerar tecidos recuperar a vitalidade de cada órgão das pessoas. Não são muito sérios, costumam falar mais que os caboclos de Ogum ou Xangô, existe muitas caboclas também sob a vibração de Iemanjá, geralmente são caboclos que atuam na praia ou no mar.

Entre os caboclos mais conhecidos dessa vibração estão Jurema da Praia, Iara, Ondina, Jandira, Jacira, Caboclo da Lua, Beira-Mar, Ubirajara.

 Caboclos de Ogum

 Geralmente são sérios, atuam mais na Ordem do centro, inibindo a ação de entidades maléficas e desmanchando demandas, são austeros, destemidos e onde atuam a Paz deve existir, por trabalharem sob uma vibração que representa a força, o desejo de vitória, limitam-se apenas em trabalhar vencendo as Guerras que cercam os templos Umbandistas, atuam na limpeza da Egrégora da casa.

Alguns deles são: Rompe-Mato, Beira-Mar, Pena Vermelha, Quebra-Ferro, Rompe-Ferro, Sete Estradas, Sete Lanças, Sete Escudos, Sete Ondas.

Caboclos de Xangô

A Vibração de Xangô é a Justiça Carmica, é a Lei irrevogável e onipresente Cosmica, são caboclos extremamente sérios, falam muito pouco, atuam também no trabalho de desmanche de feitiços, fazendo prevalecer a justiça para com os adeptos necessitados, alguns são exímios feiticeiros, curandeiros e quimbandeiros, assim como a maioria dos caboclos de Ogum, os caboclos de Xangô também atuam na esquerda e na direita em sua maioria, a Justiça deve prevalecer independente do que aconteça. Alguns caboclos de Xangô estão diretamente ligado aos exus, que são os soldados do astral que auxiliam na Ordem das coisas.

Seus brados de guerra são muito intensos e breves.

Entre alguns caboclos estão Treme-Terra, Cachoeira, Mata Virgem, Rompe Pedra, Sete Luas, Caboclo do Vento, entre outros.

Caboclos de Oxóssi

De todos os caboclos, são os que mais falam, é a vibração que representa todos os caboclos em geral, costumam apresentar-se como bons conselheiros, ótimos curandeiros e benzedeiros.

Alguns caboclos que atuam sob a égide de Oxossi Guaraná, Jurema, Sete Encruzilhadas, Sultão das Matas, Araribóia, Cobra Coral, etc.

Caboclos de Oxum

São caboclos que trazem todo o encantamento e doçura dessa vibração, Oxum é a vibração de uma verdadeira mãe, protetora, amiga e sábia, assim são os caboclos que atuam sob essa vibração.

Alguns caboclos que já presenciei de Oxum são Pena Dourada, Iracema, Indaiara, Jandira, Jurema dos Rios, etc.

Caboclos de Obaluaie

São muito poucos caboclos que atuam sob essa vibração, são caboclos muito sérios, falam muito pouco e costumam também realizar seus trabalhos na esquerda. Seus brados de guerra geralmente são muito curtos e ocos.

Alguns caboclos da linha de Obaluaie/Omulu são Arranca-Toco, Vira-Mundo, Urutu, etc.

Algumas vibrações como Nanã, Iansã, Oxumaré, geralmente transmitem aos seus filhos boiadeiros, o caboclo que o filho trabalha durante os trabalhos Umbandistas, geralmente é o do segundo orixá de seu ori. Raros os casos, por exemplo, de um caboclo de Iansã, como até mesmo o Ventania, que para mim sua vibração é oriunda de Xangô ou até mesmo Sete Flechas, que eu já vi muita filha de Iansã trabalhando.

Geralmente essa linha é evocada na abertura, para limparem a casa de todos os malefícios que eventualmente ali adentram, em minha opinião, é a linha de maior poder espiritual que atua sobre a egrégora da Umbanda, em outras palavras, em termos de força guerreira; É uma linha que respeito muito e acho de ilibada importância para os trabalhos umbandistas.

Os caboclos também são constituídos de nômades que atuavam no Oriente, já vi alguns caboclos se plasmarem totalmente vestidos, com roupas longas, denotando uma descendência mais oriental, vale lembrar que os índios do norte da América também utilizavam roupas. Muita são as tribos que atuam nos trabalhos de Umbanda, apenas citando alguns: Sioux, Apaches, Chippeway, Comanches, Iroqueses, Navajos, Peles-Vermelhas,  entre outras tribos do norte da América, também temos a presença dos Incas, Maias e Astecas que situavam-se mais na América Central e a vasta quantidade de tribos brasileiras, como Tupiniquins, Tupinambás, Aimorés, Tupis, Tamoios, Guaiacurús, entre outras tribos, onde alguns caboclos receberam como nome de trabalho, o nome de sua própria tribo.

Outro aspecto importante que já vi acontecer em terreiros, é o médium de qualquer forma querer ter um cacique, vale salientar aqui que em nem todos os casos, o cacique é o que possui maior luz, maior hegemonia sobre os trabalhos, vale lembrar que o tempo de trabalho e a intensidade do trabalho de uma entidade é o que determina seu conhecimento, experiência e nível evolutivo, e como eu sempre digo, cada qual na sua função. Nas tribos existiam diversos cargos, como os guerreiros, entre eles, havia o seu chefe de Guerra, os Xamãs, que em algumas tribos também são conhecimentos como pajés, que eram os curandeiros da tribo, muitos eram conselheiros e exímios manipuladores de energia, tinha os vigias, os caçadores, entre outros grandes cargos dentro de uma mesma tribo. O seu pode não ser cacique, pode não ter o penacho até o chão, mas isso no mundo espiritual nada quer dizer, mais vale o grau evolutivo e a forma altruísta de trabalho do seu caboclo ao tamanho do seu penacho. Eu já trabalhei com quatro caboclos, dentre eles, apenas o Sr. Pena Branca era cacique, o meu chefe de ori, Sr Urubatão da Guia era um xamã entre os peles-vermelhas, o caboclo do Sol um curandeiro e feiticeiro e o Rompe-Mato um guerreiro austero.

 Essa é a linha de caboclos, sempre solicitados nas demandas, sempre solicitados quando é necessário a Ordem na Casa e geralmente são os chefes de congas nos terreiros de umbanda, o guia representante da vibração do seu médium e o responsável pelo comando da corrente umbandista de seu filho.

 

Saravá a Linha de Caboclos.

Okê Caboclos

 

 

 

Os Elementos de Transmutação da Umbanda

 

A Umbanda apresenta como mensagem religiosa a prática da caridade pura, o amor fraternal, a paz e a humildade. Entretanto ela também se propõe a produzir, pela magia, modificações existenciais que permitam a melhora da vida ao ser humano.

A sua magia consiste em reaproximar o homem da natureza, manipulando, através de vibrações sonoras, os elementos primordiais que a constituem, como também usando o ponto neutro dos fluxos e refluxos da onda modulada, equilibrando a consciência material do ser humano quantitativa e qualitativamente com os quatro agentes naturais que formam o Grande Agente Mágico Universal que é a força vital.

A força mágica e uma espécie de atividades universal ou vida cósmica de natureza misteriosa. O principal ramo da arte mágica consiste justamente na transmutação dos valores energéticos universais através da utilização dos elementos Fogo, Terra, Água, Ar.

Estes elementos estão em toda a parte e em todas as coisas, sendo bastante conhecido em sua manifestação na natureza. Como eles formam o nosso próprio corpo, fica fácil compreendê-los. 

Vejamos:

O Elemento Ar

O ar é um elemento da natureza considerado ativo e masculino. Em geral é considerado como o primeiro dos elementos dos elementos. Possui natureza dupla e é ao mesmo tempo atmosfera tangível, volátil, que pode ser chamado de Ar espiritual. Esta essencialmente relacionada com três conjuntos de idéias: o respiro criativo da vida, a palavra criadora; o vento como ar dinamizado, conectado em muitas mitologias, como idéia de criação, e, finalmente, o próprio espaço como meio onde se produzem os movimentos e de onde emergem os processos de criação e desenvolvimento da vida.

No campo humano o Ar esta relacionado aos pulmões, purificando e vitalizando o sangue que conduz o elemento vital ou Agente Mágico Universal. O sentido do olfato esta relacionado com o importante simbolismo do ar, cuja representação mágica é a espiral. Ele é ainda o hálito que respiramos e que se acha simbolizado nas fumaças que usamos na Umbanda.

A força mágica da fumaça reside no fato dela representar o ato de libertação da forma como imediata dissolução do ar, em forma espiralada.

Isso permite ao elemento ar atuar como intermediário entre o mundo da forma e o mundo espiritual envolvente e invisível, tornando-se assim um agente mágico capaz de transformar em resultado eficaz a intenção com que a fumaça é libertada para dissolver-se no ar.

Portanto, pode-se explicar o poder da magia pela sua própria condição de se fortalecer pelatransmutação e pelo retorno a plenitude. Uma vez fortalecida por sua identificação com o global, a intenção do ato mágico vai refletir-se como retorno do outro mundo formal para alcançar o objetivo mágico com eficácia. Estas são as raízes do pensamento mágico.

O Elemento Água

A água é um elemento considerado passivo e feminino. O conceito de água estende-se de maneira geral a toda matéria em estado liquido. Símbolo universal do principio feminino, das emoções e do inconsciente, de todas as substancia a água é a de mais complexa interpretação. Este elemento esta sendo ligado aos conceitos de fertilização, de materialidade e de geração. A água consiste num fluido denso e numa essência potencial de natureza fluídica.

Está bem definida sua presença como elemento primordial no primeiro instante de criação. Diz a Gênese de Moisés: “… a escuridão encobria a face do Infinito, e o Espírito divino vibrava sobre as Águas…” As águas citadas por Moisés são a matéria prima homogênea ainda não diferenciada ou o elemento do nascimento da gestação.

A água se manifesta de modo bem visível do mundo da forma e seu valor é incontestável. Em nosso Planeta a água segue um ciclo de transformações com quatro etapas sendo que cada etapa se completa da seguinte forma: sol aquece as águas da superfície do mar ou rios que evaporam, sobem em forma de vapor para formarem as nuvens, sofrendo ai uma transformação; as massas frias de vento sopradas dos pólos entram em contato com as nuvens (que são vapor) e a água se condensa precipitando-se para o solo em forma de gotas; Uma vez no solo, a água penetra na terra e, em seu interior, sofre transformações e é impulsionada para cima pela força da pressão, saindo nas fontes para forma os rios que, pela lei da gravidade, correm de volta para o mar ou rios.

Nos rituais da Umbanda, a água é considerada com os seus valores de cada etapa e ciclo das águas. Assim,cada etapa esta ligada a um determinado Orixá ou força da natureza, todas de origem feminina.

A água do mar esta relacionada à Iemanjá e a do rio esta ligada a Oxum que representa o amor, a bondade a doçura, a beleza e a riqueza da material e espiritual. O sal sempre teve importância e valor mágico devido a sua propriedade de conservar e evitar putrefação e como símbolo, acompanha a água. Sua presença é sempre marcante nas cerimônias de exorcismo.

Por isso, o mar e os rios se investem da propriedade de receber os detritos físicos e espirituais bem como objetos de trabalhos feitos. Colocar objetos no mar significa remetê-los ao caos primordial representado pelas águas marinhas.

A água serve como elemento condutor de emergia vibratória como agente mágico que religa o ser humano a Deus pelo batismo. No corpo humano, aliás, ela se manifesta como o elemento liquido que representa cerca de 70% do volume do corpo.

Na magia, ela representa ainda o caos diferenciado, a essência divina não-formalizada. É representada graficamente por três linhas paralelas horizontais e onduladas, simbolizando as ondas do mar.

O Elemento Terra

A terra é um elemento da natureza considerado passivo e feminino. Tem duas partes essenciais, sendo a interior fixa, terrena, imóvel e virtual. Este elemento se manifesta de forma sólida e a ele e atribuída a propriedade de receber descargas etéreas e matérias. Tomado como limite espacial, apresenta-se como a vestimenta envolvente da materialidade.

Elemento mágico de transformação, a terra mantém guardados, em seu interior, os segredos da purificação pela transformação agindo como filtro magnético que retém a impureza e liberta a pureza, afim de que o impuro se transforme pelo fogo e volte ao estado primitivo, mantendo-se do lado oposto do agente liberado, fazendo permanecer o equilíbrio.

Todos os minerais pertencem ao elemento terra e são encontradas nos mais diversos tipos, formas e combinações de moléculas, inclusive algumas que ainda estão em fase de transformação; por geram espontaneamente uma energia tão forte que o simples contato ou aproximação dos outros seres os envolve no seu campo magnético e os domina levando-os a destruição de suas moléculas (radioatividade).

Na Umbanda, o elemento terra representa a energia capaz de aliviar as pessoas das cargas dirigidas por alguém e alguma coisa. No seio da terra esta o mistério da vida e da morte, onde a semente adquire a força vital para nascer e transformação do corpo se processa na decomposição ou simplesmente onde se morre. A sua capacidade é de atração e transformação; como exemplo, temos a pedra que é do elemento terra e que representa o símbolo da unidade, da durabilidade e da força estática. A terra representa também a solidificação do ritmo criador, que é o contrario do ritmo biológico, pois este é submetido às leis de mudança, decadência e morte.

No corpo humano está representado pelo sais minerais que fortificam o corpo e o agente vital. Sua simbologia gráfica é a cruz, que ‘e o signo de sua crucificação e da do homem.

O Elemento Fogo

O fogo é um elemento da natureza considerado ativo e masculino. Dos quatro elementos são o que mais constantemente se acha associado às religiões, desde os tempos pré-históricos. É considerado o símbolo da própria alma e vidas humanas. É ao mesmo tempo visíveis e invisíveis, discernível e inservível – uma flama etérea e espiritual que se manifesta através de uma flama substancial e material.

Esotericamente, é a representação ou reflexo mais perfeito na chama uma, o principio divino que é, por sua vez, e como conceito, o mais alto símbolo de toda humanidade. O fogo representa a vida e a morte, a origem e o fim de todas as coisas, e nesse sentido é um dos mais importantes emblemas de transformação e regeneração. Como sinônimo de vida, o fogo tem muitos aspectos: pode ser encontrado tanto no nível da paixão animal e do erotismo (o fogo da paixão), como no nível dos mais ingentes esforços espirituais. Ele alcança e transcende o plano do bem (calor e energia vital) e o plano do mal (destruição e conflito), tendo a função de purificador supremo, como no caso das cremações ritualísticas de cadáveres.

A Umbanda considera, dentre os quatro elementos, que o fogo é o mais enigmático e surpreendente, pois sua energia e extremamente poderosa. A essência ígnea não se mostra com tanta evidencia como ocorre nos outros três elementos, pois no mundo visível o fogo só se mostra em sua forma luminígena. Apenas esta modalidade é comumente chamada de fogo.

Pela mítica, o fogo é um elemento com duração na potencia. Em outras palavras, pode-se dizer que ele preexiste as suas manifestações nas modalidades sutis de manifestação do fogo, cuja percepção se dá através de emoções e de imagens anímicas. Além disso, o fogo, enquanto símbolo, tem enorme amplitude: significa divino, energia motora cósmica, energia sexual (sentido este bastante nítido no sincretismo fogo-serpente a que os hindus chamam de Kundalini, a força latente responsável pela atividade sexual e pela consciência superior); A afetividade (compreendendo a ternura e a agressão). 

O fogo da vela simboliza a ligação matéria-espirito, homem-Deus. No corpo humano, o fogo se manifesta não só pela temperatura do corpo como também pelas manifestações emotivas e psíquicas. Seu símbolo gráfico é o corisco, ou o fogo que vem do alto, do céu ou de Deus.

Serões de Pai Velho

 

pretovelho 

ZIVAN – O que é a pemba e para que serve?


PAI VELHO – Pemba era um giz de fabricação especial, obtido através de um rito ou cerimônia. Passava de geração a geração e servia para grafar determinados sinais cabalísticos ou mágicos, com as mais diferentes significações, os quais variavam desde o nome da entidade que os firmava até às ordens astrais, envolvendo as mais diversas classes de entidades. De modo geral, porém, os sinais riscados pela pemba eram para uso de magia.

ZIVAN – Qual é o verdadeiro valor oculto, ou de imantação, da pemba?


PAI VELHO – Nenhum, pois o valor e a finalidade não estão no giz, e sim nos sinais grafados. O giz comum serve perfeitamente para o fim a que se destina: é inclusive mais barato e econômico.
    A grande quantidade de pembas preconizadas para esse ou aquele fim é pura especulação comercial, sem o mínimo valor cerimonial ou oculto. Risca-se ponto demais. Com pembas ditas de Angola, do Congo, da Costa e de Moçambique. Os pontos autênticos das verdadeiras entidades são raros.

    Sabendo que a magia não está na pemba e sim nos sinais que a entidade firmou, vamos apreciar o assunto em seus menores detalhes.

    O Ponto Riscado, ou a Grafia do Orixá, é uma ordem escrita a uma série de entidades, desde os espíritos da natureza aos Exus e até a espíritos sensíveis às figuras geométricas.
    O ponto completo obedece a sete sinais positivos que o identificam:

  • A que vibração primordial-forma pertence a entidade: caboclo, preto-velho ou criança;
  • A que linha pertence, dentro das sete fundamentais;
  • A falange ou subfalange, bem com o grau hierárquico dentro dos três planos de manifestação: Orixá, do Guia ou do Protetor;
  • Planeta regente e signo zodiacal;
  • Cor Fluídica Esotérica;
  • Elemento que manipula, figura geométrica, corrente cósmica e metal correspondente;
  • Entidades que comanda, quer as chamadas naturais, humanos ou não e artificais.

     Além desses sinais positivos existem os negativos, ocultos.

    O ponto riscado é a própria história da entidade e dos auxiliares que a acompanham em seus trabalhos. É através dele que também podem ser efetuadas todas as fixações de magia, as ordens a uma série infindável de espíritos, obedecidas religiosamente. Traçado de pemba é coisa muito séria e pode, inclusive, pela leviandade de se riscar pontos sem o mínimo conhecimento, desencadear as mais imprevisíveis forças, às vezes com conseqüências irremediáveis.
    A questão dos pontos é tão importante que todos têm nas palmas das mãos o selo dos Orixás responsáveis pelos destinos de cada um, como dizem os estudiosos da Quiromancia.

 

Serões de Pai Velho – Roger Feraudy 

Glossário de Práticas no Terreiro

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Defumação - Ato de purificar o ser, o objeto e o ambiente, através da fumaça. É o ato de expulsar o negativo, através de aromas, ou seja, das essências (ervas: alecrim, benjoim, incenso e outras), de acordo com a necessidade da utilização.

A defumação é uma prática antiqüíssima de todas as religiões e de todos os povos. A defumação tem sempre caráter expulsatório (exorcístico) de espíritos.

O emprego sistemático da fumaça deve ser reminiscência indígena. Entre todas as tribos da raça Tupi, o Tabaco é considerado como planta sagrada.

O segredo e a utilização desses elementos por parte de nossas entidades, do uso do cachimbo, do charuto e do cigarro nos trabalhos, defumando e não como vício, como soprar a fumaça, são variados, dependendo do caso em questão.

Atuação do Defumador

1ª. - A essência do defumador, desfazendo-se no ambiente, isto é, misturando-se com o éter atmosférico, vai ser sentido pelos espíritos;

2ª - Seu aroma desperta alguns centros nervosos dos médiuns, fazendo esses centros vibrarem de acordo com as irradiações fluídas da Entidade.

Fogo - Utilizado para acender defumadores, charuto, cachimbo, cigarro e pólvora, bem como para cozinhar as comidas oferecidas às Entidades. Associado nos ritos de magia e religião como afastador de espíritos ruins e dos males.

O fogo da pólvora (tuia) produz o estouro e a fumaça para que expulse a negatividade, rompendo o campo magnético.

Velas - Vieram para a Umbanda por influência do Catolicismo.

Iluminadas, são ponto de convergência para que o umbandista fixe sua atenção e possa assim fazer sua rogação ou agradecimento ao espírito ou Orixá a quem dedicou.

Ao iluminá-las, homenageia-se, reforçando uma energia que liga, de certa forma, o corpo ao espírito.

Água - Sua utilidade é variada. Serve para os banhos de amacis, para cozinhar, para lavar as guias, para descarregar os maus fluídos, para o batismo. Dependendo de sua procedência (mares, rios, chuvas e poços), terá um emprego diferente nas obrigações.

A água poderá concentrar uma vibração positiva ou negativa, dependendo do seu emprego.

Ponto Riscado - Se não houvesse o segredo, para que então o ponto riscado? Cada ponto, seja de Caboclo, do Preto Velho ou do Exu, tem uma interpretação, podendo identificar aquele que o risca, podendo caracterizar a natureza do trabalho.

Concentração - É ter a mente fixada sobre um objeto.

Meditação - É uma corrente contínua de pensamentos a respeito desses objetos.

Bater Cabeça - O médium da Casa, em respeito às firmezas dos Orixás, deita-se de barriga pra baixo em frente a ele (Gongá) a fim de pedir proteção.

Gongá - Altar dos Orixás, onde ficam os símbolos, otás, fetiches, comidas dos mesmos, imagens, etc…

Sineta Litúrgica ou Adejá - É um instrumento chegada de entidades. Deve ser utilizada e consagrada em momentos apropriados somente por pessoas capacitadas para tal, devendo ser guardado no Gongá.

Otá - Pedra ou pedaço de metal, axé do Orixá (onde se fixa a força mágica do Orixá). O otá tem vida; somente assim é um otá. Sua forma, dependendo do Orixá, poderá ser redonda, arredondada (ovalada) ou comprida.

Preceito - Normas, proibições e recomendações relativas ao culto.

Bebidas - Na Umbanda, bebe os médiuns irmanados com seus Guias espirituais, na certeza de que confraternizam brindando com seus caetés (cuias), invocando os poderes do Deus Onipotente na sua Corte Celestial com os Ministros (Orixás).

Penacho e Cocares - Os guias não precisam deles para demonstrar sua condição de representantes do Orixá, entretanto, para melhor tomarem contato com a Terra, uma vez que sentem saudades, muitas vezes, da sua permanência neste Planeta, como antes encarnados que o foram, bem como, para dar cunho de materialidade nos seus trabalhos.

Charutos, Cachimbos e Cigarros - O segredo e a utilização, desses elementos por parte de nossas entidades, o modo como a fumaça é dirigida (magia) tem o seu eró (segredo) e não é como muitos utilizam, para alimentar a vaidade, o vício e a ignorância.

Pemba - A força esotérica da Escrita astral, na Umbanda é feita pela Pemba (giz oval – forma cônica), que tem o poder de abrir e fechar trabalhos de magia, e de purificar, quando em forma de pó é lançada ao ar no ambiente em que se utiliza.

Prece - É uma evocação por meio da qual colocamos nossos pensamentos em relação ao ente e Entidade a que nos dirigimos. Pode ser pensada ou mentalizada, falada ou cantada.

Obrigação - É um dever, um compromisso com as Entidades. Implica na presença do Sacerdote, que com sua força espiritual, com o conhecimento do ritual e do material a ser aplicado na obrigação, estabelece o elo, o canal entre o filho e as forças espirituais.

Oferenda - É um ato livre que qualquer pessoa pode fazer, desde que tenha conhecimento do que poderá oferecer à Entidade.

Corimbas - São cânticos invocando as Entidades, marcando o início de sua incorporação ou desincorporarão, para criar formas mágicas para determinados trabalhos, para abrir e fechar sessões no Terreiro, parar pedir forças espirituais, para afastar espíritos maus, para pedir maleme (perdão) e outras diversas finalidades.

Atabaques - Eles servem para manter o ambiente sob uma vibração homogênea e fazer com que todos os médiuns permaneçam em vibração (danças, aceleração do médium, principalmente em desenvolvimento).

Paó (3 palmas lentas) - Utilizado para pedir permissão para entrar, saudar e licença.

Bater com as pontas dos dedos, no chão - Da mão esquerda: Saudando os caminhos de Exu; da mão direita: Saudando, homenageando e pedindo licença ao local.

Guias (fios de contas) - É um colar ritual de miçangas, contas de cristal, de louça, de frutos pequenos, construídos de acordo com a Entidade, que designa também a cor de sua preferência. Podem ter pequenos objetos presos a eles. A Guia (fio) de Exu é colocado no pulso do braço esquerdo, nunca passando pela cabeça do umbandista.

Vestimenta Roupa Branca (Roupa de Santo) - É a vestimenta para a qual devemos dispensar muito carinho e cuidado, idênticos ao que temos para com nossos Orixás e Guias. As roupas devem ser conservadas limpas, bem cuidadas, assim como as guias (fios de contas), não se admitindo que um médium, após seus trabalhos, deixe suas roupas e guias no Terreiro, esquecidas. Quando a roupa fica velha, estragada, jamais o médium deverá dar ou jogar fora. Ela deverá ser despachada no mar, juntamente com uma pequena imantação (oferenda) para o Orixá ou Entidade a que pertencer. Fica claro que é obrigatório seu despacho, pois se trata de um instrumento de trabalho do médium.

Toalha Branca (Pano da Costa) - Trata-se de um pano branco em formato de toalha (retangular), podendo ser contornado ou não com renda, fino ou grosso, de tamanho aproximado de 0,50 x 0,76 m.

No caso dos homens, é pendurado do lado esquerdo, no ombro ou na cintura e no caso das mulheres, por cima dos ombros ou na cintura, do lado direito. É utilizado para o médium bater cabeça.

Trabalhar descalço - O médium, sempre que possível, deve trabalhar descalço por uma questão de humildade e para facilitar a incorporação, bem como para haver melhor descarga dos fluídos nocivos, diretamente para a terra. Estando o médium calçado, estará isolado da terra, o que dificultará a eliminação dos fluídos nocivos (negativos), assimilados ao se transpor às encruzilhadas, cemitérios, hospitais, etc…, Quando da vinda para o Terreiro.

Banhos de Descarga - São coisas sérias, requerendo atenção de quem os toma, bem como de quem os administra. É uma banho de flores, ervas ou essências. Cada um deles traz o seu magnetismo e a pessoa vai absorvê-lo de modo que ao tomá-lo, elimina toda a influência negativa agregada a sua vibratória humana (corpo etérico). As ervas, de preferência, devem ser colhidas por pessoas capacitadas para tal, em horas e condições exigidas, entretanto, podem ser usadas também as adquiridas no comércio (frescas), desde que quem vá usá-las, as conheça. Poderão ser também preparados banhos de descarga, com rosas brancas (banho neutro) e de efeito muito positivo, podendo ser tomado por qualquer pessoa sem afetar sua faixa vibratória. As essências também devem ser utilizadas com cuidado, pois contêm muita vibração, somente administradas por pessoas capacitadas.

Preparo - O melhor modo pelo qual obtemos uma maior imantação, seja ele com flores, ervas ou essências, é através do calor, da evaporação, isto no ritual da Umbanda. Colocamos numa panela a água e a deixamos ferver. Quando estiver fervendo, apagamos o fogo. Então, colocamos as pétalas das flores, ervas ou essências, abafando e deixando em fusão para o devido cozimento por evaporação. No caso das flores e ervas, após o cozimento, coamos o mesmo num pano branco e guardamos os resíduos para serem despachados oportunamente.

Uso - O chacra mediúnico (frontal) e glândula (nuca) são os dois pontos que fecham a faixa vibratória mediúnica. Com elas, para o cérebro convergem as vibrações captadas, sendo razão indispensável para que o banho seja derramado sobre a cabeça, pois daí parte todo comando do corpo, o que por outro lado acarretará prejuízo, quando mal aplicado (no caso das ervas e essências), caso este em que o magnetismo do banho não estiver em harmonia com a vibratória mediúnica da pessoa (Orixá de Coroa).

Entidades Espirituais - São espíritos de alta, média e baixa faixa vibratória, em ascensão evolutiva, ou não, no Plano Espiritual.

Guia (Entidade) - É o espírito de luz que procura guiar os homens, afastando-os do mau caminho, representando o Orixá de coroa de médium. Poderá ser um Caboclo ou um Preto Velho.

Protetor (Entidade) - É um espírito que passou pela vida terrena e deseja obter mais luz, fazendo o bem e promovendo a paz entre os homens que vivem ainda no plano material. Poderá ser um Boiadeiro ou Exu (macho e fêmea).

Passe - Os passes não fazem parte do corpo doutrinário do Espiritismo. Eles remontam aos mais remotos tempos e constituem recursos naturais, postos à disposição dos homens para as tarefas de socorro ao próximo. O Novo Testamento demonstra que Jesus e os Apóstolos utilizavam-se dos passes como recursos magnéticos curadores aliados a recursos espirituais, curando pela imposição das mãos ou pelo influxo das palavras de fé. Graças à sua feição de “Consolador Prometido”, o Espiritismo, conserva e difunde essa modalidade de auxílio, a fim de atender uma infinita quantidade de pessoas que batem às portas dos Centros Espíritas, na esperança de cura ou de alívio.

 Passe é uma “transfusão de energias psicofísicas, operação de boa vontade, dentro da qual o companheiro do bem cede de si mesmo em benefício de outrem” (Emmanuel).

Para o êxito dessa operação, cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida. Mágoas excessivas, paixões, desequilíbrio nervoso e inquietude, bem como alimentos inadequados e alcoólicos, são fatores que reduzem as possibilidades do passista e que, portanto, devem ser evitados. Aqueles que se consagram aos trabalhos de assistência aos enfermos através de passes, devem cultivar, além da humildade, boa vontade, pureza de fé, elevação de sentimentos e amor fraternal.

Nos processos patológicos orgânicos, os “passes” não dispensam os recursos da Medicina, devendo ser utilizados como complemento.

Egum - É um espírito sem luz, ou pouca luz, de um desencarnado.

Falanges - São grupamentos de espíritos que atuam no Plano Espiritual, recebendo a falange, o nome de seu chefe.

Legiões - O mesmo que Falanges, porém, espíritos em faixa evolutiva superior.

Linhas - O mesmo que Legião, porém, espíritos ou divindades que não necessitam mais de evolução espiritual.

Encruzilhada - Local onde se cruzam dois caminhos. Local onde se realiza o contato permanente de Exu com Ogum, que incumbe os Exus de suas tarefas, transmitindo-lhes as ordens superiores.

Cumprimento Ombro-a-Ombro - Quando um Guia cumprimenta um consulente ou um assistente com o bater de ombro, isto é sinal de igualdade, de fraternidade e grande amizade.

Macaia - Lugar de retiro, em plena mata, onde os médiuns vão descansar, refazendo suas forças psíquicas, no contato direto com a natureza e local nativo do “habitat” de Orixás. Ali se faz oferenda aos Orixás daquele “habitat” (casa).

Pontos de Segurança - São os pontos que se riscam e cantam no início da Sessão. Têm por finalidade, como o próprio nome já diz, trazer segurança para os trabalhos daquela Sessão. Tais pontos impedem a intromissão de espíritos maléficos. Sem tais pontos, os trabalhos realizados naquela Sessão ficariam nulos ou perderiam quase todo o efeito.

Sessão - Reunião dos adeptos da Umbanda para promoverem os seus desenvolvimentos espirituais, homenagem ou procura de curas de males materiais e espirituais.

Eledá - Orixá guardião da vida da pessoa.

Batismo - É realizado através da água, do fogo (vela), do sal, das ervas, da pemba e óleos sacramentais.

Amaci - São ervas frescas maceradas na água limpa (de cachoeiras, nascentes, etc…) que tem por finalidade a lavagem de cabeça em especial, para tranqüilizar a mente e intelecto de seus adeptos.

Gira - É a cerimônia onde são invocados os espíritos.

Cambono - Tem por obrigação atender as entidades quando incorporadas e interpretar sua fala para os consulentes. É um médium, designado para tal função.

 

Caboclo das Sete Encruzilhadas

DEMÉTRIO

 

Muitas pessoas põem uma placa, Tenda de Umbanda, e a federação aceita. O cidadão joga Búzios, Umbanda não tem Búzios, joga baralho, Umbanda não tem baralho, lê no copo d’água, Umbanda não lê em copo d’água, lê em bola de cristal, Umbanda não lê em bola de cristal. Umbanda não faz nada disto, mas a casa do cidadão é tenda de Umbanda.

 

Então estamos aqui defendendo a Umbanda na tese do Pina.

 

Um dos maiores escritores sobre ramificações religiosas africanas, dentro do Brasil, foi Nina Rodrigues, escreveu até 1906 vários compêndios, discriminando determinadas nações africanas que viriam como escravos para o Brasil e dentro desta discriminação procurou sintetizar a parte religiosa de cada tribo, ou de cada nação, ou de cada dialeto. Então até 1908, eu quero que os senhores atentem bem para isto, porque é uma pesquisa que foi realizada por nós, pelo superior órgão de Umbanda do estado de São Paulo, foi uma tese apresentada em nosso congresso paulista e foi uma tese definida no próprio Rio de Janeiro entre todos os presidentes de federações, que ninguém, nenhum presidente de federação, nenhum chefe de terreiro dos mais antigos, vivo como Beijamim, Tancredo e outros mais,conheceram qualquer elemento que praticasse Umbanda antes de Zélio de Moraes.

Então em 1908, exatamente em 15 de novembro, o ano que vem nós estaremos comemorando 70 anos de Umbanda no Brasil, apareceu umCaboclo que, agora vamos ver aqui a questão do Osvaldo que classificou-o em duas posições; Primeiro como Caboclo de mesa branca e segundo como Exú, gostaria que você desse está explanação em público para que pudéssemos dar a definição dela.

 

OSVALDO

 

Demétrio, ocorre que conforme foi explicado, uma explicação que eu ouço de 10 em 10 dias, é a explicação da manifestação deste Caboclo, que foi justamente em 15 de novembro de 1908 no Rio de Janeiro. Então você veja, ele se manifestou numa mesa Kardecista por auto confirmação, para mostrar justamente aos membros da mesa que ele existia e que tinha que ser respeitado como tal.

 

Utilizou uma criatura que não andava, que era um instrumento de auto confirmação, para fazer-se respeitar, já que ele não tinha o poder da linguagem, em termos que não fosse de concreto, para fazer-se respeitar. Eu o classifico como se fosse um Caboclo sensacional, fora de série. Agora no meu posicionamento, na minha nação, eu o posicionaria como sendo um Orixá ou seja Exú Orixá ou em Bará, por 7 encruzilhadas.

 

Bem está é a definição do Osvaldo, agora vamos a nossa definição.

 

Eu digo nossa e sou obrigado a defender o Caboclo das 7 Encruzilhadas aqui, porque tive a oportunidade de conviver com ele por algumas sessões em São Paulo, e tive a oportunidade de conviver com ele por alguns trabalhos na Cachoeira de Macacu no Rio de Janeiro.

 

Nós não poderíamos de maneira alguma, aceitar a definição de Caboclo de mesa branca (grifo nosso), porque a própria mesa branca não o aceitou na sua manifestação.

 

Qual a explicação para que tenha se manifestado primeiro numa mesa Kardecista?

 

Bem, se você pegar um médium que esteja atuado, mas que não houve possibilidade da manifestação por vários motivos, ou o médium não estava capacitado, ou não tivesse condição ou coisa que o valha, este médium tanto pode bater no Candomblé, como pode bater na Umbanda, como pode bater às portas da Igreja Católica, como poderá bater nos Kardecistas.

 

Então vamos que um destes médiuns bata a sua casa de nação, ele tem a mediunidade, você vai recebê-lo, ele se manifesta em sua mediunidade em sua casa porque encontrou campo propício certo?

 

Vamos notar que Zélio de Moraes, aos 17 anos, descendente de uma família cujos membros eram médicos e sacerdotes, estava inclusive sendo levado para um Instituto Psiquiátrico para poder fazer tratamento de sanidade mental, então ele não tinha campo para agir.

 

Zélio foi levado a uma sessão Kardecista, então o Caboclo encontrou campo para se manifestar não foi aceito.

 

Sendo assim o Caboclo das 7 Encruzilhadas, com sua Luz, com sua magnitude, porque eu tive a oportunidade de conviver com ele e sei, conheci a sua força espiritual, ele poderia talvez prever o que seria a Umbanda, o que é a Umbanda hoje, e o que vai ser daqui a 10, 20, 50 anos, mais jamais até aquela data ouviu-se falar o termo Umbanda, isto eu discuto, não há comprovação escrita, então foi ali que nasceu o termo Umbanda, mas também o Caboclo das 7 Encruzilhadas na sua terminologia, não demonstrou Umbanda religião isto ou aquilo, ou Umbanda quer dizer um juntamento de grupo, não fechou a questão em si, ele deu nome e dali pra frente se passou usar Umbanda para aquele sistema de trabalhoespiritualista que não fosse africanista, que não fosse de mesa branca, mas que fosse diferente, com Caboclo nato.

 

Então se trabalhou com Caboclo, com algum tempo é que começou a manifestar o Preto-Velho e depois a criança.

 

Mas a Umbanda, o termo Umbanda registrado, pertence ao Caboclo das 7 Encruzilhadas, registrado porque a 1ª tenda de Umbanda registrada em cartório público foi a tenda de Nossa Senhora da Piedade, no Rio de Janeiro, em 16 de novembro de l908.

 

Bem, outra dúvida é, a Umbanda adotou o sistema encruzilhada que o Caboclo está dizendo, esta encruzilhada é a que adotamos, de rua ou de cruz? (gifo nosso)

 

A título de esclarecimento, se nós formos a um trabalho de mata com um Caboclo, o que é que faz um Caboclo pra fazer uma oferenda de mata de cruzeiro, simplesmente pega a mão, puxa as folhas da árvore e abre uma encruzilhada, faz a oferenda aí, quer dizer, este é o símbolo da encruzilhada.

 

O Osvaldo chegou a conclusão que o Caboclo não poderia ser Kardecista pois não foi aceito pelos Kardecistas, não poderia ser Exú porque se manifestou como Caboclo. dando o nome de um Caboclo e métodos de Caboclo.

 

O Osvaldo foi defensor dos atabaques no Rio de Janeiro para tocar em horas que a polícia proibia.

 

Eu tive a oportunidade de conviver com o Caboclo das 7 Encruzilhadas.

 

Um dos terreiros que eu dirijo, tem 21 anos de porta aberta, Chama-se Tenda de Umbanda São Cipriano, eu tive a oportunidade neste terreiro de adotar tudo aquilo que eu aprendi com o Caboclo das 7 Encruzilhadas que em São Paulo estava sempre presente dentro da Tenda de Oxalá de São Benedito, que era dirigido pelo falecido Freitas e por um chefe de terreiro que recebia o Caboclo Pena Verde e que trouxe para São Paulo talvez até a década de 50 ou 55 o maior número de chefes de terreiro que foram feitos dentro da casa de Oxalá de São Benedito, que foi o maior terreiro de Umbanda já instalado em São Paulo pelo número de médiuns participantes.

 

Alí nós tivemos convivência com Zélio de Moraes.

 

Na minha tenda ,não se bate atabaques, não se bate palmas e se trabalha de acordo com o que eu aprendi com o Caboclo das 7 Encruzilhadas. (grifo nosso)

 

Eu sou presidente de uma Federação que tem 120 tendas federadas e estas tendas batem atabaques, batem palmas e fazem aquilo que elas acham que tem que fazer, eu aprendi de uma maneira, não vou impor em minha federação que ele vá fazer aquilo que eu faço em minha casa, eu faço o que aprendi e que para mim deu certo, pode ser que para outros não de certo.

 

Meu terreiro tem atabaques e só bate em dia de festa, ou em dia que vai para a mata, ou numa festividade em Santos, mas dentro do terreiro não se bate atabaques.

 

Bate-se atabaques nestes dias de festividade como uma vibração diferente da do trabalho espiritual que eu penso, quanto mais concentração se tiver dentro de um terreiro, melhor se pode trabalhar um médium, melhor pode ser fortalecida a corrente mediúnica para as exigências da hora, que é justamente o passe e a consulta, ninguém vai a um terreiro de Umbanda ver se o Caboclo é bonito, as pessoas vão para receber passe, para receber consulta, para receber uma palavra de amor, para receber mensagens, ninguém vai a terreiro de Umbanda porque o terreiro é bonito.

 

Os princípios da Umbanda os quais foram ditados pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas, o termo Umbanda, religiosamente falando, não tem atabaques, não tem palma, não tem dança, isto não quer dizer que a Umbanda não deve evoluir, não deva se adaptar como se adaptou o Caboclo das 7 Encruzilhadas com o Preto-Velho, e automaticamente com muitas raízes africanase muitas mirongas africanas. (grifo nosso)

 

A Umbanda deve evoluir porque senão cai na estagnação e aí perde adeptos.

 

Então a necessidade é que ela evolua, mas uma evolução com uma certa discriminação, uma evolução que vá puxar a evolução do ser humano, essa é a fase importante da Umbanda, é o que faz com que os terreiros estejam sempre cheios.

 

MOABI CALDAS

 

Salve o sol e salve a lua.

 

Em primeiro lugar quero lembrar a todos que não existe puríssimo religioso, todas as religiões são formadas de pedacinhos umas das outras, e mesmo assim, no seu crescimento, na sua Gênese, elas se modificam, por exemplo, em 1843 foi publicado na França o Livro dos Espíritos de Allan Kardec, e fundada naquela época a sociedade dos estudos Espíritas contando com a colaboração de notabilidades do mundo europeu, hoje o espiritismo não existe mais na França, existem círculos científicos que fazem experiências, mas como nós entendemos o espiritismo, como praticamos o espiritismo de Kardec, ele não mais existe ali.

 

A igreja de Roma não foi fundada por São Pedro porque ele nunca esteve em Roma, foi fundada 400 anos após a morte de Cristo pelo Imperador Constantino, que deu assim um tremendo golpe político, colocando a teara papal na cabeça criando um mecanismo completamente diferente do até então preconizado.

 

A palavra Umbanda é uma palavra milenar, ele é inserida no dialeto Kimbundo.

 

Há documentos neste sentido inclusive na biblioteca nacional, é uma palavra raramente utilizada, mas significa arte de curar.

 

Caboclo das 7 Encruzilhadas não foi muito bem recebido em 1908 na sede da Federação Espírita Kardecista pelo seguinte, naquela época, os poucos Espíritas que existiam seguindo a orientação européia, admitiam que a alma depois de ultrapassar o estágio animal estava no campo do negro estando muito ligados ainda pela ancestralidade animal, seriam almas muito primárias ainda que não teriam nada a dar, atrasadas, rudimentares e por isso nas sessões não se manifestavam os pretos velhos e nem os Caboclos a não ser como exceção. Quando o presidente da mesa perguntou o nome, a entidade respondeu através de Zélio, que tinha 17 anos, era a primeira vez que se comunicavam, era a primeira vez que ostencivamente ele incorporava, porque até então não havia incorporado. Na véspera Zélio recebera em sonho a visão de um índio que dissera que ia curá-lo instantaneamente e ele ficou curado, e a cidade toda ficou em polvorosa, e queriam resolver a situação e apelaram para a FederaçãoEspírita porque havia aparecido um índio, em sonho, para um rapaz paralítico.

 

Então ele disse, se querem um nome então será este, Caboclo das 7 Encruzilhadas, porque não existiram encruzilhadas fechadas para mim, mas por favor, entendam uma coisa importantíssima, a linguagem simbólica que ele usou, a encruzilhada a que ele se refere não é a encruzilhada do chão, da terra batida, do mato, de cruzeiro é a encruzilhada do destino, a encruzilhada da vida psicológica de cada um de nós. (grifo nosso)

 

Quer dizer, a Umbanda a partir daquele momento não teria encruzilhada psicológicas porque o objetivo da Umbanda é nos libertar, nos esclarecer, nos orientar.

 

Foi isto que ele quis dizer quando afirmou ser o Caboclo das 7 Encruzilhadas. Preto-Velho, aquilo era apenas uma roupagem, ele foi assessorado depois nos trabalhos, pelos africanos, mas vamos nos vincular a roupagem porque não existe isto de preto, branco ou vermelho, o espírito na sua ascensão, no seu progresso, ele encarna na raça que melhor lhe convêm, na raça que melhor condiz com a sua situação.

 

Quanto aos rituais, estes, querem queiramos quer não, terá que se evoluir, que se libertar de uma série de primarismos.

 

 

Texto enviado por Marcia Nunes ao grupo Povo de Aruanda

Linhas de Trabalho, Umbanda e Roupagem Energética


 

PERGUNTA: A respeito dos pretos–velhos, a senhora poderia tecer alguns comentários a respeito da linha e da forma plasmada/roupagem fluídica utilizada pelos espíritos que nela militam?

VÓ BENEDITA: A linha de pretos – velhos, meus filhos, é uma linha como qualquer outra dentro da Umbanda. Um grande equívoco é pensar que todo preto–velho foi negro, ou morreu velho em sua última encarnação, o que muitos sabem não é bem verdade. Existem muitos irmãos que utilizam a aparência de preto–velho, mas nunca foram escravos nem aqui no Brasil nem em qualquer lugar do mundo. Na verdade essa linha nasce como forma de organização de todo um contingente de espíritos que iriam atuar dentro do movimento umbandista que surgia. As primeiras linhas fundamentadas foram a de caboclo e pretos–velhos. Utilizou–se uma figura mítica já presente dentro da cultura brasileira e criou–se toda uma linha de trabalho, onde todos os seus representantes teriam trejeitos e características similares. Surgia a linha de preto–velho, uma linha transmissora da calma, da sapiência, da humildade, detentora do conhecimento sobre os Orixás e que acima de tudo, falaria ao simples de coração até ao mais erudito doutor, sempre com palavras de amor e espalhando luzes dentro da espiritualidade terrena. Era uma forma de identificar e aproximar a população ao culto nascente. Era uma forma de homenagem. Era também uma forma de hierarquizar e organizar. Além disso, temos a questão arquetípica e mítica por detrás de cada uma das linhas. 

Os pretos-velhos estão fundamentados no arquétipo do sábio, ou, “ancião”, aquele que com as experiências vividas alcançou a sabedoria. Em cima desse arquétipo, criou-se muitos mitos dentro da cultura universal, onde a figura do ancião sempre foi utilizada como símbolo para a sapiência. Um dos mito brasileiro para esse arquétipo é a figura do preto-velho, que sofreu, tinha poucas condições, mas tudo isso superou, com fé, amor, determinação, etc. Na verdade, dentro da figura simbólica do preto-velho, vemos um ideal de luta e superação das pessoas.

É preciso atentar para esses reais fundamentos dos chamados povos de Umbanda, ou linhas de trabalho. Por detrás de cada um deles encontramos um arquétipo universal e um mito fortemente arraigado a cultura afro-brasileira.

PERGUNTA: “Um arquétipo universal e um mito arraigado a cultura afro-brasileira?” A senhora poderia exemplificar melhor?

VÓ BENEDITA: Arquétipos são como estruturas que residem no inconsciente coletivo da humanidade, moldando de certa forma o pensamento universal. A forma mais simples de se entender isso é o estudo da mitologia comparada entre povos diversos. Caso façamos esse estudo, veremos que as lendas ou mitos de diversos povos que nunca tiveram um intercâmbio cultural são extremamente semelhantes na sua forma, apesar de diferirem de forma gritante no conteúdo. Podemos dizer, portanto, que arquétipos são como “fôrmas de bolo”. Todo bolo saído de uma fôrma redonda, será redondo, apesar de que com a mistura de ingredientes diferentes, podemos obter bolos de chocolate, cenoura, banana, ou seja, bolos diferentes. Nessa nossa analogia, entendam os arquétipos como as “fôrmas”, os mitos como os “bolos” e, seguindo ainda a linha de pensamento, os “ingredientes” como a cultura vigente de determinado povo.

Dessa forma, um mito como o do dilúvio, por exemplo, está presente nas mais diversas culturas. Mas em cada uma delas ganha uma apresentação diferente, ou um conteúdo diferente, mesmo que a forma ou essência seja a mesma para todos os “dilúvios” já relatados.

Esse mesmo raciocínio deve ser utilizado dentro das imagens arquetípicas e míticas utilizadas pelos guias de Umbanda. Como dito no meu comentário anterior, um preto-velho é um mito brasileiro, surgido através dos fatos históricos ligados a escravidão e resistência negra dentro desse país. Por detrás dele temos um arquétipo, o do “ancião” ou “sábio”, que é uma figura universal e irá ganhar outras formas, dependendo da cultura em que esteja inserido. Assim, o ancião sábio dentro da cultura oriental será retratado de uma forma, dentro da cultura indígena de outra, dentro da cultura européia de outra ainda, mas todos terão uma mesma forma, ou correspondências claras entre eles. Isso é arquétipo, uma estrutura de pensamento universal, que reside no inconsciente coletivo da humanidade e atua como modelador de símbolos, lendas, fábulas, histórias, religiões, mitos, comportamento e tudo mais que esteja relacionado ao pensamento humano.

Dessa forma, as linhas de Umbanda também foram pensadas em cima de arquétipos e mitos, pois isso facilita a aceitação e o entendimento em relação as entidades espirituais. Por exemplo:

 linha de caboclos foi pensada em cima do arquétipo do “herói”, ou seja, daquele que faz sempre a luz prevalecer sobre as trevas, um ser justo, puro, bondoso, mas ao mesmo tempo corajoso o bastante para lutar e defender seus filhos. Esse arquétipo tem sintonia ideal com o mito criado em cima da figura indígena, um povo forte, justo, guerreiro, etc. Dessa forma surgiu a linha de caboclos, fundamentada em cima da figura mítica do índio brasileiro e que logo se tornou a linha de frente dos trabalhos de Umbanda, por motivos obviamente relacionados às qualidades apresentadas pelos espíritos militantes dessa egrégora, assim como pela empatia que a figura arquetípica do “herói” desperta nas pessoas. E aqui não estamos comentado a respeito do que já foi falado e é de conhecimento dentro da Umbanda, pois em Oxossi a figura do índio ganha nova sustentação, assim como na figura de Ogum também, por exemplo.

Seguindo a linha de raciocínio, temos em Exu o “anti-herói” típico, ou seja, espíritos tão valentes e guerreiros como os “heróis/caboclos”, mas que ainda apresentam traços extremamente humanos dentro de sua personalidade, em contraste com a postura sempre correta, pura e equilibrada dos caboclos. O mito utilizado como referência dentro da linha de guardiões foi a própria figura mitológica do Orixá Exu, que apresenta através do mito yorubano comportamento semelhante ao que aqui está descrito. Por isso também a linha de guardiões foi chamada de Linha de Exu, sendo totalmente diferente do que chamamos de Exu dentro do culto tradicional africano.   

Logo, entendam que os espíritos de caboclos, pretos-velhos e exus (assim como de todos os outros guias de Lei de Umbanda) ganham essa roupagem apenas dentro do culto umbandista, pois em outras culturas atuarão e se apresentarão de forma diversa, pois um mito é fruto do ambiente sócio-cultural, enquanto um arquétipo é universal e inerente a todos os povos.

Por tanto, os próprios guias de Umbanda são universais, atuando de forma discreta e desprovida de ego em muitas religiões e tradições espirituais, ocultados por roupagens energéticas que simbolizam a egrégora, o arquétipo e a vibração que dá sustentação ao trabalho por eles realizado. A maioria das chamadas linhas de Umbanda são muito mais antigas que a própria Umbanda, tendo em sua militância espíritos das mais diversas etnias ou culturas. O fator agregador dessas consciências espirituais é a sintonia com o arquétipo que existe por detrás de cada linha, que também pode ser identificado como um Orixá, uma vibração, um sentido, um elemento, um Santo, etc. O comentário aqui tem como ponto central os arquétipos, por entender que com isso comenta-se algo não explicado de forma aberta dentro da Umbanda, mas principalmente, abre-se o conteúdo umbandista para pessoas não familiarizadas com o universo mítico afro-brasileiro. 

Para o Umbandista ou para alguém com algum conhecimento dentro dos cultos afro-brasileiros, chamar a linha de guardiões de Exu é muito útil, facilitando o entendimento, pois a própria figura de Exu já representa muita coisa a respeito daquela entidade. Mas para um espírita, por exemplo, é complicado compreender o uso desse termo. Seria melhor o termo “guarda” ou “guardião”. Agora imaginem para um oriental… Outra teria que ser a abordagem! Por isso desses comentários em cima dos arquétipos e mitos formadores das linhas de trabalho.          

Essa também é uma abordagem em sintonia com o que acontece no astral, pois nele os espíritos são agregados através da afinidade mental/emocional, que vai muito além da barreira da língua, religião, cultura, etc. O que é dentro da Umbanda chamado de linha de pretos-velhos (e surgiu com o nascimento da mesma), no astral é uma grande egrégora, grupo ou fraternidade espiritual (muito mais antiga que a própria Umbanda) que congrega espíritos que tem na maturidade consciencial sua principal característica. Que no arquétipo do “ancião” encontra seu eixo psicológico e em uma vibração conhecida como Obaluayê/Yorimá pelos umbandistas, mas que ganha outros nomes nas tradições religiosas mundiais, e mais outro dentro do plano espiritual, sua sustentação vibracional.  

PERGUNTA: Quer dizer que a linha dos pretos-velhos surgiu com a Umbanda, mas no astral ela já existia como uma antiga egrégora que congregava espíritos com as mais diversas vivências?  

PAI ANTÔNIO: Pedindo licença para minha irmã Benedita, vou comentar a esse respeito. É sim verdadeiro que o que chamamos de linha de pretos-velhos na Umbanda é muito antiga no astral, remontando as mais diversas épocas da humanidade. É claro que ela nunca foi conhecida como “linha dos pretos-velhos” ou continha em si divisões como “José da Guiné”, “João de Angola” ou “Maria Conga”, etc. E isso é uma coisa que gera ainda hoje muita confusão no meio umbandista, por isso deve ser muito bem explicada.

Como fraternidade espiritual, essa egrégora vem acolhendo espíritos dos mais diversos, formando um contingente que conta aos milhões nos dias de hoje. Os próprios mentores maiores dessa fraternidade espiritual são espíritos elevadíssimos, que tem como trabalho cuidar da evolução da humanidade de forma a abranger todo o planeta. São senhores dos carmas coletivos, unificados em consciência com os Sagrados Orixás. Muitos deles atuam exclusivamente através do corpo mental, tendo abandonado a utilização do corpo espiritual/astral há milênios. Isso é um fato.

Agora, a linha dos pretos-velhos, e com essa designação estamos envolvendo: a forma de se manifestar, as muitas linhas de trabalho, falanges, ritualística própria, etc, etc, apenas surgiu com o nascimento da Umbanda, em solo brasileiro. Tanto a Umbanda quanto os pretos-velhos foram “pensados” em cima do contexto social, cultural, ético, do Brasil e da atual humanidade. A figura do preto-velho foi aproveitada e ela obviamente só pôde surgir a partir da diáspora negra e a resistência da escravidão aqui no Brasil. A figura do índio/caboclo só pode surgir com a exploração e dizimação dos índios de então. Acredito que isso ficou muito claro na abordagem anterior feita por Vó Benedita, onde ela explicou a questão arquetípica e mítica.

Dessa forma falamos de duas coisas distintas: Primeiro de uma egrégora ou fraternidade espiritual milenar e universal, formada por “anciões”, ou espíritos ligados à maturidade consciencial. Segundo, sobre uma forma de manifestação dessa fraternidade dentro dos trabalhos espirituais de Umbanda, que é a linha dos pretos-velhos, surgida e pensada no astral a não mais de 200 anos.

PERGUNTA: E quanto às outras linhas de Umbanda? Mesmo entendendo que a forma como elas se manifestam tenha surgido junto do movimento umbandista, elas também seriam mais antigas no astral que a própria Umbanda?

PAI ANTÔNIO: Sim, com certeza muitos dos agrupamentos espirituais que respondem dentro da Umbanda por nomes simbólicos e apresentam-se através da roupagem energética de caboclos, pretos-velhos, baianos, boiadeiros, exus, etc, são muito antigos dentro do astral. A linha de guardiões e guardiãs conhecida como linha de esquerda, atua há milênios no astral do planeta. A forma de entendê-la como linha de Exu é que nasceu dentro do movimento umbandista. Apesar do preconceito ainda existente, a Umbanda é responsável pela abertura do conhecimento em relação a essas entidades responsáveis pela LUZ nas regiões mais trevosas e densas ligadas ao astral da Terra. Daqui a alguns anos, muitos grupos espiritualistas estudarão Umbanda como uma forma de melhor conhecer a atuação dessas entidades protetoras. Quando as barreiras do preconceito caírem por inteiras, então os irmãos espiritualistas das mais diversas tradições verão o universo riquíssimo que a Umbanda descortina através de seus nomes simbólicos, ritualística, linhas de trabalho, etc, etc.

PERGUNTA: Muitas vezes a Umbanda é tachada de atrasada ou é vítima de preconceito dentro do próprio espiritismo ou de outras faces do espiritualismo ocidental. Muitas pessoas tendem a criticar o excesso de rituais, simbologias, etc, que fazem parte do universo umbandista. Gostaríamos de algumas palavras suas a respeito disso.

PAI ANTÔNIO: Muitos filhos não entendem o porquê de a Umbanda ter sido organizada dessa forma. Mas isso tem muito a ver com a própria natureza dos espíritos que reencarnam aqui no Brasil. Peguemos o exemplo espírita. Quando Kardec o codificou, o fez sobre forte influência da cultura européia: científica e técnica por natureza, mas também elitista, machista e preconceituosa historicamente falando. Quando esse espiritismo-científico chegou ao Brasil, ele passou por uma “renovação”, mesmo que os defensores da “pureza doutrinária” não gostem desses comentários e os neguem. A verdade é que no Brasil o “espiritismo-científico” transformou-se em “espiritismo-religião”, o que foi muito importante para sua aceitação dentro do seio do povo brasileiro, “mais coração” e “menos cabeça” que os europeus.

Mas muito mais poderia ser feito no Brasil, pois nele encontrávamos um “turbilhão cultural” enorme e propício para o surgimento de novas tradições espiritualistas-mediúnicas. A Umbanda nasceu assim, fruto do meio social onde está inserida, absorvendo em si diversas tendências religiosas do povo brasileiro e dos espíritos que encarnavam aqui no Brasil com as faculdades mediúnicas abertas. Aspectos ligados a magia, ao culto as divindades, os trabalhos na natureza e com os espíritos que nela vivem, assim como muitos outros pontos relegados pelo espiritismo, foram aceitos e incorporados dentro da Umbanda.

De certa forma, o espiritismo brasileiro, vamos dizer assim, e a Umbanda, são dois lados de uma mesma moeda, que tem na mediunidade e no contato direto com o plano espiritual sua forma de acelerar a evolução espiritual do homem e, na caridade, a ação altruísta que visa despertar o amor ao próximo.

E podemos dizer ainda que onde acaba o campo de atuação do Espiritismo, começa o da Umbanda, e essa verdade é recíproca também. Dessa forma, consciências que tinham nas capacidades mediúnicas sua grande alavanca evolucionista encontram em solo brasileiro dois grandes agrupamentos afins com suas necessidades. De um lado o espiritismo, mais científico, evangelizador, tendo na figura de Jesus e na postura cristã sua sustentação. Do outro, a Umbanda, mais magística e ritualística, tendo nos Orixás e na postura aprendida com os guias espirituais seus grandes fundamentos. Uma não é melhor que a outra, mas sim são complementares e respondem por anseios diferentes, de almas diferentes. São religiões irmãs…      

É uma pena que as duas religiões nunca atentaram para essa complementaridade que tanto as aproxima. Pois, se devemos diferenciá-las, para não descaracterizá-las, o estudo em conjunto poderia enriquecer ainda mais as duas tradições. Hoje vemos que os umbandistas começam a perceber isso, valendo-se das excelentes obras espíritas já trazidas para o plano físico. Infelizmente isso ainda não é verdade dentro do seio kardecista, pois o preconceito impede, na maioria dos casos, que os espíritas também aprendam com a Umbanda. Mas tudo tem o seu tempo…

Apenas para completar o que aqui digo sobre Umbanda e espiritismo, observem as tradições orientais como o taoísmo, o zen, o budismo e a yoga. Todas têm na meditação seu ponto chave, pois isso vai mais ao encontro da natureza passiva e introspectiva do oriental. São tradições diferentes, com suas particularidades, mas também lados de uma mesma moeda.

Assim também o é com a Umbanda e o Espiritismo, tendo a mediunidade e caridade como eixo principal, indo de encontro com a natureza mais expansiva e ativa do ocidental. 

PERGUNTA: Então, tanto o Espiritismo como a Umbanda, de certa forma, têm como um de seus objetivos, congregar dentro de seu movimento espíritos que tem na mediunidade uma alavanca para sua evolução?

PAI ANTÔNIO: Exato. A mediunidade é o ponto básico das duas doutrinas. Mas mesmo espíritos possuidores de faculdades semelhantes, têm tendências, carmas, afinidades espirituais diversas, além de capacidades diferentes para determinados trabalhos. Em nenhum outro local do mundo, na atualidade, reencarnam tantos espíritos com suas faculdades mediúnicas abertas como no Brasil. Isso se deve a essa grande egrégora ligada ao mediunismo existente no astral do país.

No astral não existe essa diferença de paredes e congás, centro e terreiro, que existe na matéria. Espíritos que militam na Umbanda, militam também dentro do espiritismo, de forma completamente natural. O preconceito ainda existente é fruto de uma visão estreita e muito arraigada a terra. Quanto mais do alto contemplamos alguma coisa, mais evidente fica a noção de totalidade e unidade que existe no cosmos.

Enquanto o espiritismo tende por uma linha codificada e, portanto, mais organizada, a Umbanda caminha livre, respeitando as diferenças conscienciais encontradas de terreiro para terreiro, sendo exemplo de universalidade entre as religiões modernas. 

PERGUNTA: Voltando ao assunto das linhas de trabalho. Entendido a questão dos arquétipos e mitos, assim como de seus valores simbólicos e psicológicos dentro da Umbanda, gostaríamos de comentários a respeito das funções energéticas ou espirituais das formas plasmadas ou roupagens fluídicas adotadas por vós dentro dos trabalhos espirituais.

VÓ BENEDITA: Muito mais profunda e detalhada é essa questão. Existem pretas–velhas “Beneditas” (como eu), “Cambindas”, “Marias”, etc. Se todas fomos agrupadas na linha de pretas–velhas e resolvemos atuar dentro dessa grande egrégora/vibração, nosso nome simbólico representa a egrégora/falange a qual nos reportamos. E a peculiaridade de nossa forma plasmada também. Todas adotamos a aparência de negras–velhas, mas cada uma portando algumas características próprias, pois a forma plasmada ou roupagem fluídica também é um fundamento de grande importância dentro da Umbanda.

Ela funciona como uma “chave de acesso” a egrégora/falange a qual o espírito pertence (trabalha). Por exemplo, eu, nessa forma espiritual que agora me apresento, poderia dizer por analogia que estou “vestida de Benedita de Aruanda”, utilizando-a como um uniforme que me liga naturalmente, por sintonia, vibração e estímulo mental a toda uma hierarquia de “Beneditas de Aruanda”, todas elas amparadas pelas nossas amadas Iabás das Águas: Oxum, Iemanjá e Nanã Buroquê.

Esta forma plasmada demonstra que eu estou em serviço dentro da falange. É uma chave de abertura para determinada vibração, ou mistério, como queiram. Dentro do ritual umbandista, três são as grandes chaves de acesso que cada entidade trás. Primeiro seu nome simbólico, que, na maioria dos casos, encontra-se em português, em yorubá, em tupi, guarani, ou outro dialeto indígena. Essa é a chave “sonora” de aceso a vibração de um guia.

Como exemplo, peguemos a linha de caboclos Sete Flechas. Apenas a verbalização ou mentalização do nome Sete Flechas já reverbera no astral e designa todo uma grande egrégora trabalhadora dentro da vibração do Orixá Oxossi e da Orixá Iansã. Essa é a chave sonora, ligada ao verbo e as características do tipo de trabalho o qual o guia realiza. Nela está fundamentada a mentalização dos nomes dos guias, assim como dos conhecidos pontos cantados de chamada de determinadas linhas.

A outra chave de acesso é o ponto riscado. Ele é a inscrição de símbolos que demonstram as forças e campos no qual o guia trabalha. É a “chave vibratória” e a mais “direta” entre as três, pois o magnetismo do ponto riscado de um caboclo Sete Flechas é só dele, e mesmo existindo outros milhares de Sete Flechas, aquele ponto vibra em uma correspondência energética só sua. Dessa forma caso seu médium conheça o ponto, através dele acessa diretamente ao seu guia pessoal. Por isso, essa é a chave mais velada e oculta, liberada de forma integral apenas quando o médium dá provas de determinação e maturidade dentro do trabalho de Umbanda. 

A terceira chave é a forma plasmada/roupagem fluídica de uma falange. Ela é de aspecto visual e talvez seja para os encarnados a mais “genérica” entre as três. É nesse fundamento que sustenta–se o uso de imagens, pois através de uma sugestão mental, invoca–se dentro da mente das pessoas uma egrégora ou vibração especial. Dessa forma, caso o dirigente peça para que todos mentalizem a linha dos caboclos, logo as imagens de índio utilizadas por todos caboclos virão à mente e por sintonia visual–mental ocorrerá a ligação do encarnado com a parte astralina da corrente dos caboclos. Os mestres orientais dizem que essa é a mesma ciência por trás do que ficou conhecido como Yantras no oriente.

Mas, o aspecto mais profundo dentro desse fundamento, é o da roupagem fluídica pessoal de cada espírito. Ela pode ser conhecida tanto através das faculdades clarividentes como em projeções astrais conscientes. É aqui que realmente pode-se conhecer as peculiaridades de cada forma que os guias de lei de Umbanda utilizam e que estão mais ligados a detalhes pessoais da consciência espiritual. Mas dentro de uma falange, essas peculiaridades são extremamente importantes, pois se milhares de Caboclos Sete Flechas imprimem a seu corpo espiritual através da força do pensamento uma forma semelhante entre si, às pequenas nuances e detalhes, refletirão dentro da hierarquia e das funções que cada um deles têm dentro da falange.                

Por fim, a forma coletiva adotada pelos espíritos dentro da Umbanda é um meio de acabar com a vaidade e necessidade dos médiuns de obterem comunicações com personalidades importantes quando encarnadas, o que, sem querer que soe como uma crítica, é muito comum dentro do espiritismo mundial codificado por Kardec. Por detrás da aparência de uma preta–velha, pode estar uma simples e sábia escrava, uma professora, uma parteira, ou até mesmo uma grande santa ou sacerdotisa de outros tempos. Pouco importa, pois todas respondemos dentro de uma linha (Preta–Velha) e de um grupo (Benedita). Nós ficamos “ocultas” por assim dizer. Trabalhando e esclarecendo simplesmente por amor.

Esse sistema foi baseado no modo de viver dos seres naturais e encantados da natureza, onde todos se vêem como um grupo, como um grande organismo onde cada individualidade é uma pequena célula de Um organismo maior, que são os Orixás, e esses, por sua vez, são outras grandes células que formam o Todo, Olorum. Dessa forma, trabalha–se por alegria e altruísmo, anulando–se o ego e a vontade própria, para o prevalecimento do Eu divino e da vontade coletiva.

PERGUNTA: A Senhora poderia explicar melhor como funcionam essas “chaves” de acesso a determinada entidade ou corrente espiritual?

VÓ BENEDITA: As “chaves” citadas no comentário anterior funcionam através de correspondência vibratória. Para fazermos uma analogia com algo material, usemos o diapasão. O diapasão é um instrumento utilizado para afinar instrumentos musicais, “calibrado” para vibrar em determinada freqüência, emitindo a nota Lá (440Hz). Agora imaginem que as “chaves” estejam calibradas e sejam capazes de sintonizarem com determinadas egrégoras assentadas no plano espiritual, captarem suas vibrações e transformarem-se em pólos irradiadores ou veículos manifestadores dessas vibrações.

Essa lei das correspondências vibratória é uma das leis básicas da magia e também da própria mediunidade. Através de princípio semelhante, mas voltado às leis de vibração espiritual, um ponto riscado entra em sintonia com o próprio magnetismo de um guia, ou um nome simbólico em si carrega a vibração peculiar de uma determinada falange. Seguindo o mesmo raciocínio, à parte etérica da glândula pineal de um médium “vibra” em correspondência vibratória com as ondas mentais enviadas por uma entidade extrafísica, conseguindo captá-las. Pelos mesmos princípios, uma ferramenta condensadora de axé, consagrada em algum sítio vibratório da natureza, pode reproduzir, a partir de si, o mesmo magnetismo e energia do local natural. E nisso encontra-se um dos fundamentos dos otás e ferramentas assentadas em um congá dentro de um terreiro de Umbanda. Mas aí, estaríamos entrando em um outro assunto…

O importante aqui é entender como a lei da correspondência vibratória está na base de diversos fundamentos da prática umbandista, ou de muitas outras práticas magísticas e espirituais. Tudo na Criação vibra, nada é estático. E a sintonia e correspondências entre essas vibrações são uma grande chave descortinadora de mistérios.

PERGUNTA: Quanto ao comentário a respeito da anulação do ego através do uso de nomes e aparências coletivas. Isso nos parece muito interessante. Você poderia nos explicar um pouco mais a respeito?

VÓ BENEDITA: “Deus, em sua infinita misericórdia, fez da morte a grande niveladora das consciências humanas. Mas vocês, ignorantes das leis espirituais, continuam rotulando e julgando um espírito pelo que ele foi ou deixou de ser no plano material” _ essas foram as palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas dentro da recém fundada federação espírita de Niterói, questionando o porquê de espíritos de negros ou índios serem afastados das mesas espíritas.

Acreditamos que essa citação, por si só, já é mais eloqüente do que qualquer coisa que possamos falar. Na verdade, uma encarnação é apenas uma “roupa” ou “papel” representado no teatro cósmico das vidas sucessivas. Entendido isso, como se apegar a alguma personalidade terrena, quando a realidade do espírito floresce aos nossos olhos?

Apesar de compreender que em alguns casos a identificação espiritual seja muito importante, para as necessidades básicas de atividade dentro da Umbanda, o nome coletivo funciona muito bem.

Quem realmente eu sou? Um corpo físico, uma personalidade criada dentro dos parâmetros da terra, ou um espírito imortal, parte de Olorum?

O que realmente é importante? A erudição que levo da terra, ou os tesouros do espírito que carrego no baú do coração?

Quem realmente age? Benedita, um simples espírito em evolução, ou a mão do Orixá a usa, como humilde instrumento de ação na vida dos semelhantes?

O que é mais valoroso? A cultura terrena que um espírito possui, ou sua luz e sua energia pessoal?

Respondam com discernimento, sabedoria e carinho o que aqui foi perguntado e entenderão por si mesmos esse fundamento dos nomes e aparências coletivas dentro da Umbanda.   

 

A Prática do Cumprimento nos Templos Umbandistas

Muitas pessoas sabem como a maior parte das entidades cumprimentam, mas a grande maioria não sabe do porque do abraço triplo ou até mesmo do cruzamento triplo dos braços, para tentar esclarecer isso de uma vez por todas, solicitei ajuda ao mentor que se apresenta como Chico Preto para elucidar sobre isso, muitas das dúvidas que possuo, geralmente é ele o evocado para poder solucionar a minha dúvida.